O Fim
Não sou monárquico por causa de alguma inspiração artificial ou interesse particular. O meu pai, desempenhando altos cargos políticos, nunca deixou de afirmar bem alto a sua lealdade; o mesmo relativamente aos meus avós, que chegaram a sofrer perseguições; e ainda mais os meus bisavós, que lutaram nos últimos suspiros da Monarquia Portuguesa e tiveram de fugir para o estrangeiro. A minha posição foi sempre a de respeitar a honra das meus antepassados e lutar com todas as forças que tenho, mesmo que às vezes tivesse momentos de fraqueza.
Tenho trinta e três anos e quase vinte anos passei em militância monárquica activa. Hoje posso dizer que conheço como poucos os meandros do movimento. Comove-me as pessoas desinteressadas, honestas e altruístas, que lutam com brio, vigor e talento pela nossa causa – mas a verdade é que todas elas acabam, mais tarde ou mais cedo, por esmorecer e desmotivar, ao contemplar as barreiras que enfrentamos.
Passado todo este tempo, estou também eu cansado da inércia das Reais, das festas e celebrações que apenas servem para alimentar o ego dum punhado de ingénuos alienados; sinto-me extenuado com as guerras internas, ódios e maldicências entre monárquicos, apesar de eu próprio não ter inimizades; estou desiludido com a falta de um projecto sólido que abarque todos, que a todos sirva e que todos possam servir; estou farto, sobretudo, da falta de interesse em se instituir a Monarquia. - Sim, porque na verdade há demasiado situacionistas que preferem a segurança das migalhas que a República dá.
Além disso, há um facto inquestionável que funciona como um relógio: os que são recompensados, agraciados e louvados são aqueles que se servem do nosso movimento para obter honras e ascenção social, que em público dão “vivas ao Rei”, mas que em privado dizem mal da Família Real – estes são e sempre foram os nossos maiores inimigos, não os republicanos. Ao contrário da corja traidora que por aí anda, nunca fiz grandes discursos sobre a minha lealdade, nem me vangloriei por tudo aquilo que consegui em nome da nova restauração. Nunca deitei foguetes por cada actividade ou tempo que dispensei em nome da Monarquia. Acredito firmemente que o perfil discreto e o trabalho efectivo são os melhores meios para servir qualquer causa. Foi com esse espírito que, por exemplo, criei este blog há cinco anos.
Tenho andado em reflexão no último mês, durante o qual não visitei site ou fórum algum sobre Monarquia, mesmo aqueles onde sou administrador. Cheguei a uma conclusão simples: devo afastar-me da militância monárquica. – Das instituições, dos movimentos, dos grupos e das acções. Também o meu blog termina aqui e agora. Agradeço publicamente a todos os que me apoiaram e acreditaram nas minhas capacidades. Não irei referenciar ninguém em especial porque tenho a certeza de que iria esquecer-me de algumas pessoas. Guardo-os a todos no meu coração. Espero que o futuro seja generoso com todos os monárquicos de boa vontade e que um dia a nossa bandeira volte a ser a de todos os portugueses.
Adeus a todos.
Diogo Araújo Dantas
"O Monárquico"
O dia 10 de Setembro era vaticinado por muitos como o fim do mundo. Muita gente acreditou e a verdade é que eu próprio, com o passar das horas, olhei repetidamente para o relógio para ver se o dia maldito acabava. Quando cheguei a casa ao fim do dia, pensei que estavamos salvos e que afinal não seria hoje o dia do julgamento. Mas quando me sentei para ver o jogo da Selecção Nacional,entendi afinal de que é que falavam as premonições. Sofermos uma derrota incrível com a Dinamarca, à antiga portuguesa: jogamos como nunca fizemos em quinze anos, controlámos o jogo como nunca conseguimos em quinze anos, perdemos um jogo de apuramento para o Mundial como não acontecia há quinze anos. Com a saída de Scolari, voltámos à mesma frase de sempre, “Saímos de cabeça erguida, como a Selecção”.










