Sexta-feira, Outubro 10, 2008

O Fim

“O Monárquico” esteve em funcionamento durante os últimos cinco anos. Começou na altura em que o fenómeno “blog” estava a despontar, ao mesmo tempo de blogs como o “Gato Fedorento”, o “Abrupto”, o “Sexo dos anjos” e muitos outros. Atravessei altos e baixos, tive participações de grandes personalidades da vida portuguesa, discutimos questões importantes sobre a Monarquia e antes de abrirem outros sítios, era o único espaço da Internet onde se trocavam ideias fundamentais sobre o passado, o presente e o futuro monárquico. Escusado será dizer que a protecção da Familia Real sempre foi premissa essencial .

Não sou monárquico por causa de alguma inspiração artificial ou interesse particular. O meu pai, desempenhando altos cargos políticos, nunca deixou de afirmar bem alto a sua lealdade; o mesmo relativamente aos meus avós, que chegaram a sofrer perseguições; e ainda mais os meus bisavós, que lutaram nos últimos suspiros da Monarquia Portuguesa e tiveram de fugir para o estrangeiro. A minha posição foi sempre a de respeitar a honra das meus antepassados e lutar com todas as forças que tenho, mesmo que às vezes tivesse momentos de fraqueza.

Tenho trinta e três anos e quase vinte anos passei em militância monárquica activa. Hoje posso dizer que conheço como poucos os meandros do movimento. Comove-me as pessoas desinteressadas, honestas e altruístas, que lutam com brio, vigor e talento pela nossa causa – mas a verdade é que todas elas acabam, mais tarde ou mais cedo, por esmorecer e desmotivar, ao contemplar as barreiras que enfrentamos.

Passado todo este tempo, estou também eu cansado da inércia das Reais, das festas e celebrações que apenas servem para alimentar o ego dum punhado de ingénuos alienados; sinto-me extenuado com as guerras internas, ódios e maldicências entre monárquicos, apesar de eu próprio não ter inimizades; estou desiludido com a falta de um projecto sólido que abarque todos, que a todos sirva e que todos possam servir; estou farto, sobretudo, da falta de interesse em se instituir a Monarquia. - Sim, porque na verdade há demasiado situacionistas que preferem a segurança das migalhas que a República dá.

Além disso, há um facto inquestionável que funciona como um relógio: os que são recompensados, agraciados e louvados são aqueles que se servem do nosso movimento para obter honras e ascenção social, que em público dão “vivas ao Rei”, mas que em privado dizem mal da Família Real – estes são e sempre foram os nossos maiores inimigos, não os republicanos. Ao contrário da corja traidora que por aí anda, nunca fiz grandes discursos sobre a minha lealdade, nem me vangloriei por tudo aquilo que consegui em nome da nova restauração. Nunca deitei foguetes por cada actividade ou tempo que dispensei em nome da Monarquia. Acredito firmemente que o perfil discreto e o trabalho efectivo são os melhores meios para servir qualquer causa. Foi com esse espírito que, por exemplo, criei este blog há cinco anos.

Tenho andado em reflexão no último mês, durante o qual não visitei site ou fórum algum sobre Monarquia, mesmo aqueles onde sou administrador. Cheguei a uma conclusão simples: devo afastar-me da militância monárquica. – Das instituições, dos movimentos, dos grupos e das acções. Também o meu blog termina aqui e agora. Agradeço publicamente a todos os que me apoiaram e acreditaram nas minhas capacidades. Não irei referenciar ninguém em especial porque tenho a certeza de que iria esquecer-me de algumas pessoas. Guardo-os a todos no meu coração. Espero que o futuro seja generoso com todos os monárquicos de boa vontade e que um dia a nossa bandeira volte a ser a de todos os portugueses.

Adeus a todos.

Diogo Araújo Dantas

"O Monárquico"

Quinta-feira, Setembro 11, 2008

O fim do mundo

It's the end of the world as we know it and I feel fine.

O dia 10 de Setembro era vaticinado por muitos como o fim do mundo. Muita gente acreditou e a verdade é que eu próprio, com o passar das horas, olhei repetidamente para o relógio para ver se o dia maldito acabava. Quando cheguei a casa ao fim do dia, pensei que estavamos salvos e que afinal não seria hoje o dia do julgamento. Mas quando me sentei para ver o jogo da Selecção Nacional,entendi afinal de que é que falavam as premonições. Sofermos uma derrota incrível com a Dinamarca, à antiga portuguesa: jogamos como nunca fizemos em quinze anos, controlámos o jogo como nunca conseguimos em quinze anos, perdemos um jogo de apuramento para o Mundial como não acontecia há quinze anos. Com a saída de Scolari, voltámos à mesma frase de sempre, “Saímos de cabeça erguida, como a Selecção”.

Mas é claro que quem previa o fim do mundo estava a falar do o LHC - Large Hadron Collider ou em português, grande colisor de hadrões. Não é somente o maior acelerador de partículas mas também um dos maiores sistemas criogénicos, em que a temperatura dos magnetos supercondutores será de aproximadamente 271 graus negativos, utilizando cerca de 10.080 toneladas de nitrogénio líquido e 60 toneladas de hélio líquido. No entanto, o LHC é também uma máquina de extremo calor, pois aquando da ocorrência da colisão de dois protões, será gerada uma quantidade de calor de cerca de 100.000 vezes a temperatura do núcleo do sol. O LHC contará ainda com o maior sistema de detecção jamais construído. Terá que ser capaz de detectar e gravar cerca de 600 milhões de colisões de protões por segundo e medir o deslocamento de partículas e o tempo com uma precisão assombrosa. Para ter uma noção da resolução métrica e temporal, poderíamos dividir o metro em largos milhões e o segundo em largos bilhões, para igualar a capacidade do LHC.

Agora várias perguntas têm sido colocadas por cientistas menos conhecidos: é possível o acelerador criar mini-buracos negros com duração suficiente e grandes o suficiente para se transformarem em devoradores de matéria? É possível que partículas exóticas como monopólos magnéticos tirem os núcleos dos átomos de seus lugares? É possível que os quarks se recombinem em "strangelets" que poderiam transformar toda a Terra em um grande depósito de matéria exótica?

Seria no mínimo irónico que o nosso mundo acabasse assim, num lapso de arrogância da nossa ciência. E até faria sentido. Mas as hipóteses de este grão de areia desaparecer são várias e uma delas pode acontecer na Sexta-Feira, 13 de Abril de 2029, havendo a possibilidade real (1 em 60) de sermos atingidos por um asteroide de 320 metros. Os cálculos feitos até à data apontam que este asteróide - designado 2004 MN4 Apophis - poderá passar a poucos milhares de quilometros da Terra, abaixo mesmo da órbita da maioria dos satélites artificiais. Tão próximo que pode mesmo alterar as órbitas de alguns satélites, se não colidir com nenhum. Tudo isto serve, acima de tudo, para repararmos que somos frágeis, minúsculos, insignificantes e não estamos no centro do Universo.

Quinta-feira, Setembro 04, 2008

SAR D. Duarte em Boticas

A terceira visita temática do IDP decorreu no âmbito das Festas do Concelho de Boticas e permitiu abordar questões de cidadania, ordenamento do território, e propostas de organização de associações de produtores, como já anteriormente havia feito o IDP em vários pontos do país.

O diálogo e a cooperação entre as comunidades portuguesas no mundo, os lusodescendentes, e a população nacional encontraram-se no Municipio de Boticas (Alto Trás os Montes) a 16 de Agosto de 2008, com a presença de D. Duarte de Bragança, Presidente Honorário do IDP.

No vídeo podemos observar SAR D. Duarte, o Presidente da Câmara de Boticas e o Prof. Mendo Castro Henriques à entrada dos Paços do Concelho, a ouvir o hino da Maria da Fonte, tocado pela Banda de Música de Lousada.

Segunda-feira, Agosto 25, 2008

Política à portuguesa

É preocupante que as sondagens dêem vantagem aos socialistas, apesar do estado calamitoso a que as coisas chegaram. Estamos numa situação económica desastrosa, com grande parte das famílias a ficarem no limiar da pobreza, as indústrias do norte a fecharem e as empresas do sul a falirem – mas a culpa é da conjuntura mundial ou da União Europeia, tudo menos da incompetência do Governo. Estivemos recentemente quase em estado de sítio, com bens essenciais a faltarem nas prateleiras e sem combustível para fazer as máquinas funcionarem – mas a culpa é dos americanos ou dos árabes, dos camionistas ou das gasolineiras, tudo menos da pandilha do sr. Sócrates.

É verdade que a comunicação social se ajoelhou aos pés deste Governo, ainda antes da sua subida ao poder. E é verdade que a oposição é absolutamente estéril e estúpida. Mas só isso não explica o desânimo e o baixar dos braços. O nosso país está doente e só se parece erguer sempre que há jogos de futebol. Estamos tristes, falidos, cada vez mais ignorantes e distantes do resto da Europa. E o pior é que ninguém se parece importar com isso.

A única verdadeira oposição vem de dentro do próprio PS, o que só por si é sintomático de algo que não está bem. Os outros partidos alinham na mesma disposição em que se encontra o resto do país, senão vejamos:

a) PSD. Caiu num buraco tão fundo que jamais se conseguirá reerguer. Submerso na lama das disputas pessoais e das vaidades individuais, é um pântano de rivalidades, ódios e invejas. A instabilidade social actual, provocada pela insegurança generalizada e a criminalidade violenta, seriam uma oportunidade de ouro para qualquer oposição minimamente eficiente. Como é possível se a única esperança visível para voltarem ao poder seja o bloco central? O facto de estarem há tantos anos longe do Governo entropeceu-lhes o cérebro – porque a verdade é mesmo essa: o PSD é uma besta de esferovite que se alimenta unicamente de poder.

b) CDS. Inacreditável medíocridade. Seria a grande oportunidade desde a sua fundação, por poder ocupar o espaço recentemente desocupado à direita e centro-direita. Mas não conseguiu e o principa problema não é uma falha ideológica ou omissão de projectos. – O principal problema é a falta de valores humanos: de um lado a lamnetável pequenez de um discurso gasto e há muito falido; do outro, a desonestidade, a ambição desmedida e a falta de coerência. Os centristas estão divididos sobre quem vai ocupar os lugares dum velho táxi descontrolado que não vai à revisão há demasiado tempo. A direita tradicional portuguesa, democrática e humanista, já morreu. Mas, no fundo, ao vermos os trajectos posteriores do Dr. Amaral e do Dr. Pires, chegamos facimente à conclusão que se calhar morreu muito antes disso.

c) PCP. Os comunistas portugueses têm e sempre tiveram duas caras. Uma é a que encabeça a luta vigorosa pelos direitos dos trabalhadores, outra é a da esterelidade habitual dos seus projectos. Por ser um partido endogenamente imutável, ganha em coerência o que perde em realidade e eficácia. O PCP deve ter a bancada parlamentar mais trabalhadora e séria da Assembleia. Bernardino Soares é um jovem veterano e Honório Novo é o economista que mais se destaca nas discussões sobre finanças e poder local.
Quer queiramos, quer não, os comunistas são a instituição política que melhor prepara os seus jovens, fazendo-lhes uma lavagem ao cérebro profundamente bem sucedida. Mas depois não lhes dá asas para poderem contribuir de forma válida para a sociedade: ficam eternamente agrilhoados às amarras de aço do partido. Pior ainda, os principais dirigentes comunistas acomodaram-se às poltronas de ouro oferecidas pelo Bloco Central e jamais sairão delas. A única vez em que se levantam é, como recenemtente aconteceu relativamente a Mobutu, para louvarem os líderes sanguinários comunistas que ainda pululam pelos países mais pobres do mundo.

d) Bloco de Esquerda. Não há muito a dizer sobre os Bloquistas, apenas a ressalvar que esta legislatura foi a sua consolidação como grande pequeno partido e – acima de tudo – a sua definitiva hipoteca às vontades do outro Bloco: o Central. O BE tirou o fato de macaco e vestiu um Armani, deixou o ar revolucionário exaltado e adoptou a postura serena do capitalista que dizia tanto odiar. O dr. Louçã já não está para se chatear com grandes causas e, além disso, no Governo não está a direita por quem tem uma sco freudiano. Quando o sr. Sócrates foi para primeiro ministro, o dr. Louçã resolveu tirar férias e lá continuará nos próximos anos. Nos intervalos, lá se vai divertindo na estimulação intelectual das disputas parlamentares com o chefe do Governo, de onde ambos retiram laivos de prazer a cada demonstração subtil de arrogância desregada. São duas almas gémeas. – Cá fora, o povo suspira e encolhe os ombros.

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Nelson Évora - Campeão Olímpico


Carlos Lopes 84, Rosa Mota 88, Fernanda Ribeiro 96 e Nelson Évora.

Sexta-feira, Agosto 08, 2008

Criminalidade em Portugal


23:24, Lisboa. Acabou o assalto ao BES de Campollide, em Lisboa. Momentos trágicos, com tiros e aparentemente morte de ambos os assaltantes. Nos próximos dias, pelo menos, não se falará noutra coisa. Não sou especialista, nem das forças policias, nem dos assaltantes. Mas quando liguei a TV pelas 23h os bandidos estavam a apontar armas aos reféns de fora da dependência bancária, portanto completamente expostos. E este facto foi decisivo e facilitou a tarefa dos polícias.

Há duas coisas fundamentais a tirar do sucedido. A primeira é que a criminalidade violenta está a aumentar exponencialmente. Depois do “Car-Jacking”, de que tanto se fala, agora é o assalto aos bancos a ficar na ordem do dia. A segunda é que as forças policiais portuguesas, ou pelo menos as lisboetas, são excelentes: três tiros, um deles de “sniper”, e o assunto resolvido. Durante as próximas semanas vamos ouvir o povo elogiar a polícia, porque pode-se pensar que isto "serve de lição" - nada mais errado, pode é até ser pior para futuros reféns. Mas o facto é que apesar das prováveis fatalidades, neste caso não havia muito mais a fazer.

Ficam finalmente duas perguntas: será que é desta que o poder político vai começar a pensar no estado calamitoso em que estáo país, ou pelo facto de serem brasileiros vão “chutar a bola para canto”?; se fosse noutro local do país, fora da capital, com assaltantes mais espertos e numa cidade esquecida , como seria? Mais vale utilizar o “homebanking”...