A Monarquia hoje
Recordação do primeiro artigo deste blog
Muitos dos monárquicos não se conhecem, vivem em cidades diferentes, têm gostos diferentes e querem coisas diferentes da vida. Muitos até nem se aperceberam ainda da força das suas convicções interiores.
Sou também monárquico, por isso vou falar na primeira pessoa do plural...
O que nos une é muito maior do que aquilo que nos porventura separará. - O que nos une está nas nossas raízes, é inquebrável, nasceu connosco e connosco há-de permanecer até ao fim das nossas vidas.
Temos de ter bem presente o que é aquilo que acreditamos e defendemos. Não somos monárquicos por causa de um determinado sentido estético ou capricho secundário. Somos monárquicos porque cremos firmemente que o Rei é o suporte dos valores que a sociedade portuguesa nunca deveria ter perdido, o Rei é a fiável garantia da nossa nacionalidade, o Rei é a única via para que a grandeza do nosso passado continue verdadeiramente viva no nosso futuro.
"Quem somos? O que somos?", são perguntas que os jovens de hoje não param de tentar responder. O problema é que a nossa sociedade não nos consegue ajudar, simplesmente porque vivemos rodeados de líderes que não sabem para onde nos levam. Dizem-nos que "Somos filhos da Europa", afirmam que "O maior feito de Portugal foi no Mundial de 1966".
- Mas com estas palavras esquecem-se que o sangue que nos corre nas veias é o mesmo de D. Afonso Henriques e de D. João IV, o mesmo da Rainha Santa Isabel. E são as vozes destes nossos antepassados que comandam as nossas acções e nos dizem para pegarmos nas espadas (hoje em dia as armas são a democracia, a internet e o marketing), conduzindo mais uma vez Portugal à vitória.
30 de Outubro de 2003
Quarta-feira, Outubro 31, 2007
Terça-feira, Outubro 30, 2007
Segunda-feira, Outubro 29, 2007
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4 anos ao serviço da Monarquia
Sexta-feira, Outubro 26, 2007
Especial Cinema - Hannibal Rising

Doença com vários sintomas de obra-prima, que nos vai contagiando cada vez mais desde o primeiro minuto. No final estamos já completamente imersos numa febre que desejamos não terminar. A morbidez dos assassínios consegue ter uma dimensão perfeitamente lasciva e quase legitimadora, mesmo para o espectador mais normal. E não é preciso ser-se criminólogo para se apreciar e analizar apaixonadamente a personalidade de Hannibal Lecter.
O filme começa por desiludir ao dar uma explicação racional para a bestialidade de Hannibal, mas os vários elementos com que vamos sendo envolvidos ao longo da fita, conseguem que essa justificação peça uma abordagem muito mais complexa e sombria. Aliás, “A origem do mal”, a tradução para português, é como de costume lastimável. Os espanhóis foram pelo mesmo erro. A intenção do autor parece ser como "o início", não centrado na explicação original sobre o carácter psicopatológico de Lecter.
A obra resulta principalmente por duas razões: o argumento adaptado foi escrito pelo mesmo homem que assinou o livro, conferindo-lhe inteira legitimidade para interpretar as cenas da melhor forma possível; em segundo lugar, a realização é completamente fiel ao espírito e letra do argumento, mediante a labuta de um pedreiro que esculpe a escrupulosamente a pedra de maneira matemática.
Depois nota-se que os responsáveis, Thomas Harris (escritor) e Peter Webber (realizador), fazem este Hannibal Rising com imensa paixão e admiração pelo persongem a que Anthony Hopkins deu vida há alguns anos atrás. E este estado de alma é, em qualquer ofício, responsável pelas grandes realizações do espírito humano. O resultado é infinitamente melhor do que a produção “hollywoodesca”, com maior sensibilidade, talento e qualidade. Imperdível.
O filme começa por desiludir ao dar uma explicação racional para a bestialidade de Hannibal, mas os vários elementos com que vamos sendo envolvidos ao longo da fita, conseguem que essa justificação peça uma abordagem muito mais complexa e sombria. Aliás, “A origem do mal”, a tradução para português, é como de costume lastimável. Os espanhóis foram pelo mesmo erro. A intenção do autor parece ser como "o início", não centrado na explicação original sobre o carácter psicopatológico de Lecter.
A obra resulta principalmente por duas razões: o argumento adaptado foi escrito pelo mesmo homem que assinou o livro, conferindo-lhe inteira legitimidade para interpretar as cenas da melhor forma possível; em segundo lugar, a realização é completamente fiel ao espírito e letra do argumento, mediante a labuta de um pedreiro que esculpe a escrupulosamente a pedra de maneira matemática.
Depois nota-se que os responsáveis, Thomas Harris (escritor) e Peter Webber (realizador), fazem este Hannibal Rising com imensa paixão e admiração pelo persongem a que Anthony Hopkins deu vida há alguns anos atrás. E este estado de alma é, em qualquer ofício, responsável pelas grandes realizações do espírito humano. O resultado é infinitamente melhor do que a produção “hollywoodesca”, com maior sensibilidade, talento e qualidade. Imperdível.
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Quinta-feira, Outubro 25, 2007
Filme da semana - Premonição

Um suplício de filme. Argumento mau, realização sofrível. Os actores embarcaram num navio a afundar-se e não deixam de se afogar numa produção miserável. É estranho que Sandra Bullock tenha vindo a associar-se, nos últimos tempos, a obras de tão má qualidade, e é provável que tenha entrado numa rua sem saída, da qual não regresse. Pouco há mais a dizer sobre o filme, a não ser um conselho: não perca tempo.
Para o espectador, é complicado assistir até ao fim. Um emaranhado de cenas sem nexo ou destino, com representações a fazer lembrar uma telenovela portuguesa. O melhor do filme é, sem dúvida, quando aparecem as letras “The End”. A minha premonição é de que não vai haver segunda parte.
Quarta-feira, Outubro 24, 2007
"In Rainbows" - Radiohead
Álbum da semana
Sempre que alguém me perguntou sobre a minha banda preferida, nos últimos quinze anos respondi logo Radiohead. Mas tem sido cada vez mais difícil fazê-lo, muito simplesmente porque desde o álbum “Ok Computer” o grupo optou por seguir por uma encruzilhada experimentalista que não tem levado a lado nenhum. O experimentalismo por si só é estéril, quando não tenta alcançar mais nada.
Thom Yorke acabou de vir duma experiência (mal sucedida) a solo, mas as formas de expressão dos Radiohead estão, mais do que nunca, em grande expansão. “In rainbows”, completamente independente, marca uma trajectória completamente diferente em termos de comercialização, que aliás promete ser um marco histórico: o álbum é vendido apenas pela internet, e o valor é definido pelo comprador.
Quatro anos depois do último trabalho, surge pois “In rainbows”, coberto de expectativas e esperanças. Eu já tinha ouvido há bastante tempo a maior parte das músicas apresentadas no novo álbum, pois eles costumam tocar as novidades em concertos pela Europa toda, mesmo antes de irem para o estúdio gravar. Depois de o ouvir atentamente, prefiro dizer apenas que os críticos musicais não se atreverão a contradizer as novas ideias dos Radiohead, já que eles não se atreveram novamente a abusar dos sintetizadores. E isto apesar do álbum abrir de forma muito parecida com “Kid A” e “Amnesiac”. Mas depois essa faceta vai-se desvanecendo e aparecem músicas calmas e sobretudo lúcidas, tirando proveito da voz de Yorke. Chamo a atenção para faixas surpreendentes como "Nude" e "House of Cards".
Álbum da semanaSempre que alguém me perguntou sobre a minha banda preferida, nos últimos quinze anos respondi logo Radiohead. Mas tem sido cada vez mais difícil fazê-lo, muito simplesmente porque desde o álbum “Ok Computer” o grupo optou por seguir por uma encruzilhada experimentalista que não tem levado a lado nenhum. O experimentalismo por si só é estéril, quando não tenta alcançar mais nada.
Thom Yorke acabou de vir duma experiência (mal sucedida) a solo, mas as formas de expressão dos Radiohead estão, mais do que nunca, em grande expansão. “In rainbows”, completamente independente, marca uma trajectória completamente diferente em termos de comercialização, que aliás promete ser um marco histórico: o álbum é vendido apenas pela internet, e o valor é definido pelo comprador.
Quatro anos depois do último trabalho, surge pois “In rainbows”, coberto de expectativas e esperanças. Eu já tinha ouvido há bastante tempo a maior parte das músicas apresentadas no novo álbum, pois eles costumam tocar as novidades em concertos pela Europa toda, mesmo antes de irem para o estúdio gravar. Depois de o ouvir atentamente, prefiro dizer apenas que os críticos musicais não se atreverão a contradizer as novas ideias dos Radiohead, já que eles não se atreveram novamente a abusar dos sintetizadores. E isto apesar do álbum abrir de forma muito parecida com “Kid A” e “Amnesiac”. Mas depois essa faceta vai-se desvanecendo e aparecem músicas calmas e sobretudo lúcidas, tirando proveito da voz de Yorke. Chamo a atenção para faixas surpreendentes como "Nude" e "House of Cards".
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Terça-feira, Outubro 23, 2007
Prémios Monárquicos da Imprensa Diária
Prémio Anedota do dia
“Joaquim Chissano vence Prémio de Boa Governação”, TSF
Prémio Mais dois maçons
“PSD não quer explicações de Alberto Costa nem PGR”, TSF
Prémio Vou inscrever-me no PS
“Gestores dos fundos comunitários ganham 5625 euros por mês”, Correio da Manhã
Prémio Desta vez a culpa não é do Governo
“Países ricos foram "epicentro" das últimas crises financeiras”, Diário Económico
Prémio Anedota do dia
“Joaquim Chissano vence Prémio de Boa Governação”, TSF
Prémio Mais dois maçons
“PSD não quer explicações de Alberto Costa nem PGR”, TSF
Prémio Vou inscrever-me no PS
“Gestores dos fundos comunitários ganham 5625 euros por mês”, Correio da Manhã
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“Países ricos foram "epicentro" das últimas crises financeiras”, Diário Económico
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Segunda-feira, Outubro 22, 2007
O Apito Dourado
Todos os dias leio nos jornais notícias sobre assaltos com intensas trocas de tiros com a polícia. Estou a falar de criminosos cadastrados que actuam com uma agressividade extrema, tendo na sua posse armas de elevado calibre, roubando lojas e joalharias e ameaçando a vida de quem se cruzam com eles. Passado pouco tempo depois da sua prisão, são muitas vezes libertados por causa de erros processuais ou amnistias caricatas.
Entretanto ainda não terminou a mediática campanha “apito dourado” para prender e levar à justiça uma série de dirigentes e àrbitros. Porventura as ruas estarão mais seguras com a prisão desses “malfeitores” que fazem tráfico de influências e corrupção em clubes da terceira divisão dum simples desporto? Provavelmente não tenho de relembrar às pessoas que aquilo a que se chama “cunhas”, responsáveis por noventa por cento dos empregos em Portugal, não são mais do que tráficos de influência. Não seria mais importante fazer uma investigação nas principais empresas e no mercado de trabalho português, principal motor da economia?
Parece ser mais importante a carreira dos juízes e a imagem da judiciária na opinião pública. É muito mau para um país quando o catalizador da justiça está nas mãos da vaidade de um juíz – e é inconcebível que isso aconteça num país do terceiro mundo, quanto mais no nosso. A juíza Maria José Morgado é um exemplo da busca desregada de protagonismo: começou no julgamento de Carlos Melancia, onde ela cometeu uma ilegalidade no final só para manifestar a sua opinião de discordância com o veredicto perante a comunicação social; mais tarde, continuou com acusações na praça pública em relação a tudo e todos; e sabe Deus onde irá acabar.
O Ministério Público desviou assim as atenções dum “processo Casa Pia”, que foi mal conduzido desde o início e cujo final, já todos entendemos, será um fracasso. Agora com mais uma anedota (investigação da menina inglesa morta) não será outro "apito" a salvar a cara do MP ou da Judiciária.
Todos os dias leio nos jornais notícias sobre assaltos com intensas trocas de tiros com a polícia. Estou a falar de criminosos cadastrados que actuam com uma agressividade extrema, tendo na sua posse armas de elevado calibre, roubando lojas e joalharias e ameaçando a vida de quem se cruzam com eles. Passado pouco tempo depois da sua prisão, são muitas vezes libertados por causa de erros processuais ou amnistias caricatas.
Entretanto ainda não terminou a mediática campanha “apito dourado” para prender e levar à justiça uma série de dirigentes e àrbitros. Porventura as ruas estarão mais seguras com a prisão desses “malfeitores” que fazem tráfico de influências e corrupção em clubes da terceira divisão dum simples desporto? Provavelmente não tenho de relembrar às pessoas que aquilo a que se chama “cunhas”, responsáveis por noventa por cento dos empregos em Portugal, não são mais do que tráficos de influência. Não seria mais importante fazer uma investigação nas principais empresas e no mercado de trabalho português, principal motor da economia?
Parece ser mais importante a carreira dos juízes e a imagem da judiciária na opinião pública. É muito mau para um país quando o catalizador da justiça está nas mãos da vaidade de um juíz – e é inconcebível que isso aconteça num país do terceiro mundo, quanto mais no nosso. A juíza Maria José Morgado é um exemplo da busca desregada de protagonismo: começou no julgamento de Carlos Melancia, onde ela cometeu uma ilegalidade no final só para manifestar a sua opinião de discordância com o veredicto perante a comunicação social; mais tarde, continuou com acusações na praça pública em relação a tudo e todos; e sabe Deus onde irá acabar.
O Ministério Público desviou assim as atenções dum “processo Casa Pia”, que foi mal conduzido desde o início e cujo final, já todos entendemos, será um fracasso. Agora com mais uma anedota (investigação da menina inglesa morta) não será outro "apito" a salvar a cara do MP ou da Judiciária.
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Sexta-feira, Outubro 19, 2007
Capitalismo e Socialismo
There is a war between the rich and the poor,
a war between the left and the right.
There is a war between the ones who say there is a war
and the ones who say there isn’t.
“There is a war”, Leonard Cohen
O capitalismo pode e deve ser complementado pelo socialismo em questões ligadas aos princípios da justiça, equidade e eficiência. O capitalismo, por si só, tem revelado ser imperfeito nas situações mais diversas respeitantes aos direitos universais do ser humano, dando lugar a uma igualdade viciada e uma injustiça hipócrita, desde os aspectos económicos aos aspectos sociais. O socialismo, por si só, revelou ser uma catástrofe contra a natureza humana, mostrando uma ineficácia instrumental a toda a prova e um desrespeito pelos valores que fizeram o homem intelectual e psicológicamente evoluído dos dias de hoje, respeitador da solidariedade, fraternidade, igualdade e racionalidade.
Nenhuma ideologia que sustenta um instrumento económico e nenhum pensamento que seja o alicerce de uma dada política, podem ser a preto e branco. Enquanto existirem imperfeições essenciais numa sociedade regida por ideologias contaminadas com conceitos primordiais de “esquerda” e “direita”, não será possível chegar a uma complementariedade entre eficiência e equidade.
Um Estado independente do poder político tem, pois, de intervir nos domínios em que o mercado, por si só, não consegue abranger todos os cidadãos igualitáriamente. Em Portugal, são particularmente problemáticos os domínios da Saúde, Segurança Social e sector primário. Por outro lado, o Estado tem de se afastar definitivamente da justiça e deixá-la actuar livremente, dando os instrumentos necessários para ela funcionar em plenitude.
Os políticos de hoje já perceberam que a grande percentagem dos eleitores vêm do centro e não se identificam com “esquerdas” ou “direitas”. O que os políticos ainda não se conseguiram foi libertar-se das amarras das ideologias mortas do passado, sementes de “lobbies” e grupos de interesse. Enquanto existirem este género de bactérias do sistema democrático, a sociedade não poderá conhecer um conceito realizável de justiça universal. Por isso, a existência de instrumentos específicos contra a formação desses grupos é uma urgência que não pode ser escondida. A independência do poder político, económico e judicial são aqui, mais uma vez, fundamentais para uma sociedade verdadeiramente livre.
There is a war between the rich and the poor,
a war between the left and the right.
There is a war between the ones who say there is a war
and the ones who say there isn’t.
“There is a war”, Leonard Cohen
O capitalismo pode e deve ser complementado pelo socialismo em questões ligadas aos princípios da justiça, equidade e eficiência. O capitalismo, por si só, tem revelado ser imperfeito nas situações mais diversas respeitantes aos direitos universais do ser humano, dando lugar a uma igualdade viciada e uma injustiça hipócrita, desde os aspectos económicos aos aspectos sociais. O socialismo, por si só, revelou ser uma catástrofe contra a natureza humana, mostrando uma ineficácia instrumental a toda a prova e um desrespeito pelos valores que fizeram o homem intelectual e psicológicamente evoluído dos dias de hoje, respeitador da solidariedade, fraternidade, igualdade e racionalidade.
Nenhuma ideologia que sustenta um instrumento económico e nenhum pensamento que seja o alicerce de uma dada política, podem ser a preto e branco. Enquanto existirem imperfeições essenciais numa sociedade regida por ideologias contaminadas com conceitos primordiais de “esquerda” e “direita”, não será possível chegar a uma complementariedade entre eficiência e equidade.
Um Estado independente do poder político tem, pois, de intervir nos domínios em que o mercado, por si só, não consegue abranger todos os cidadãos igualitáriamente. Em Portugal, são particularmente problemáticos os domínios da Saúde, Segurança Social e sector primário. Por outro lado, o Estado tem de se afastar definitivamente da justiça e deixá-la actuar livremente, dando os instrumentos necessários para ela funcionar em plenitude.
Os políticos de hoje já perceberam que a grande percentagem dos eleitores vêm do centro e não se identificam com “esquerdas” ou “direitas”. O que os políticos ainda não se conseguiram foi libertar-se das amarras das ideologias mortas do passado, sementes de “lobbies” e grupos de interesse. Enquanto existirem este género de bactérias do sistema democrático, a sociedade não poderá conhecer um conceito realizável de justiça universal. Por isso, a existência de instrumentos específicos contra a formação desses grupos é uma urgência que não pode ser escondida. A independência do poder político, económico e judicial são aqui, mais uma vez, fundamentais para uma sociedade verdadeiramente livre.
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Quinta-feira, Outubro 18, 2007
Filme da semana - 1408


1408 é o número dum quarto de hotel que se supõe estar amaldiçoado e Mike Enslin (John Cusack) é um famoso romancista de terror que é conhecido por desacreditar fenómenos paranormais. A partir daqui tudo é demasiado vulgar, simplista e prevísivel.
Realizado por Mikael Hafström no presente ano, é baseado num livro de Stephen King e conta ainda com a interpretação de Samuel L. Jackson. Kate Walsh, da série “Anatomia de Grey”, esteve para participar no filme, mas conflitos de agenda impediram-na de ter um pequeno papel. A inspiração de Stephen King para a ideia que gerou “1408” foi uma série de reportagens publicadas sobre o parapsicólogo Christopher Chacon, que investigou um quarto assombrado no hotel Del Coronado, na Califórnia.
O melhor do filme é a interpretação fabulosa de John Cusack, que consegue catapultar um argumento adaptado medíocre. De facto, sem este actor, estariamos perante mais uma longa-metragem demasiado longa, ao estilo dos incontáveis “série B” que se fazem todos os anos em Hollywood e não só. Cusack carrega sozinho o filme às costas e só por ele vale a pena ser visto.
Realizado por Mikael Hafström no presente ano, é baseado num livro de Stephen King e conta ainda com a interpretação de Samuel L. Jackson. Kate Walsh, da série “Anatomia de Grey”, esteve para participar no filme, mas conflitos de agenda impediram-na de ter um pequeno papel. A inspiração de Stephen King para a ideia que gerou “1408” foi uma série de reportagens publicadas sobre o parapsicólogo Christopher Chacon, que investigou um quarto assombrado no hotel Del Coronado, na Califórnia.
O melhor do filme é a interpretação fabulosa de John Cusack, que consegue catapultar um argumento adaptado medíocre. De facto, sem este actor, estariamos perante mais uma longa-metragem demasiado longa, ao estilo dos incontáveis “série B” que se fazem todos os anos em Hollywood e não só. Cusack carrega sozinho o filme às costas e só por ele vale a pena ser visto.
Quarta-feira, Outubro 17, 2007
Xaile
Xaile, um agasalho em tempos frios da música portuguesa.
Este projecto é uma mistura bem arquitectada e eficaz de música das mais diversas tendências, principalmente da verdadeira sonoridade tradicional lusitana. Flauta, cavaquinho e harpa celta são alguns dos intrumentos que utilizam. As danças são sobretudo orientais e as letras não são demasiado densas, pelo contrário, são formadas por frases do dia-a-dia e outras expressões, tão comuns como graciosas.
Normalmente um grupo formado a partir de uma base pouco instintiva e imediata, não dura muito, havendo naturais cisões quando alcança um certo sucesso. Acredito que o mesmo vá acontecer com as pontas deste xaile: o talento de Lília (a cantora ruiva ao centro) sobrepõe-se ao das suas colegas e a naturalidade com que passeia o seu talento é indício forte de uma artista que vai ficar no panorama musical português durante muito tempo. O álbum “Xaile”, do trio com o mesmo nome, é uma das compras obrigatórias do momento.
Cenas dos próximos capítulos:
Novo disco dos Radiohead na próxima semana, “In rainbows”.
Xaile, um agasalho em tempos frios da música portuguesa.
Este projecto é uma mistura bem arquitectada e eficaz de música das mais diversas tendências, principalmente da verdadeira sonoridade tradicional lusitana. Flauta, cavaquinho e harpa celta são alguns dos intrumentos que utilizam. As danças são sobretudo orientais e as letras não são demasiado densas, pelo contrário, são formadas por frases do dia-a-dia e outras expressões, tão comuns como graciosas.
Normalmente um grupo formado a partir de uma base pouco instintiva e imediata, não dura muito, havendo naturais cisões quando alcança um certo sucesso. Acredito que o mesmo vá acontecer com as pontas deste xaile: o talento de Lília (a cantora ruiva ao centro) sobrepõe-se ao das suas colegas e a naturalidade com que passeia o seu talento é indício forte de uma artista que vai ficar no panorama musical português durante muito tempo. O álbum “Xaile”, do trio com o mesmo nome, é uma das compras obrigatórias do momento.
Cenas dos próximos capítulos:
Novo disco dos Radiohead na próxima semana, “In rainbows”.
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Terça-feira, Outubro 16, 2007
Esquerda ou Direita
O que distingue actualmente a Direita da Esquerda, não embarra em conceitos sobre o Estado, regulador ou interventor. Só quem vive no passado pode pensar que o bem público é visto de forma radicalmente diferente pelas ditas facções. – Os intrumentos do Estado têm uma forma de utilização ligeiramente diferente, chamemos-lhe de visão de esquerda ou direita, mas o principal problema de hoje e a grande questão relativa ao Estado, está na maximização da eficiência económica junto dos grandes indicadores macroeconómicos.
O Estado tem cada vez menos poder, há uniformização quase total nas políticas sociais, de justiça e económica; a pergunta está na forma concreta de solucionar os problemas: quem o pode conseguir? As políticas dos governos de esquerda ou direita? – Pouco importa; o importante é a eficiência e a equidade, que é concebida de forma semelhante entre os partidos.
A verdade é que o Estado vai tendo cada vez menos poder e é governado cada vez mais por tecnocratas e menos por políticos. Estes últimos ainda detêm um nicho de pensamento cada vez menor – e que se reduz à medida que há uma convergência negocial na esfera governamental. Por isso, as diferenças entre Esquerda e Direita vivem hoje de questões pontuais: aborto, valores cristãos, etc – e mesmo dentro destas há uma crescente mesclagem entre políticos de diferentes cores.
As funções primordiais do Estado são promovidas de forma diversa em diferentes períodos de tempo, mas essa diferença não vem de conceitos da liberalismo ou conservadorismo. Os exemplos óbvios chegam-nos actualmente na política externa: países de Esquerda e Direita contra a guerra no Iraque; países de Direita e Esquerda a favor. Se num caso tão escandalosamente propício a uma divisão, isso não aconteceu, jamais acontecerá de uma forma global no futuro.
Vivemos num mundo rendido à economia de mercado, da China aos países da antiga URSS, das pequenas ilhas do pacífico aos grandes continentes. Se o que resta da Esquerda não consegue ser contra isso, não será a Direita a fazê-lo.
Num processo democrático imperfeito, como aquele em que vivemos, com a abstenção a ser quase sempre a maioria ganhadora, quem beneficia claramente são os grupos de interesse. E estes não têm uma ideologia filosófica clara, vivendo de pequenas batalhas ganhas nos corredores das Assembleias, Senados e Palácios. Resta saber se haverá algum dia quem consiga lutar contra esta nova força que emerge de uma Globalização inevitável.
O que distingue actualmente a Direita da Esquerda, não embarra em conceitos sobre o Estado, regulador ou interventor. Só quem vive no passado pode pensar que o bem público é visto de forma radicalmente diferente pelas ditas facções. – Os intrumentos do Estado têm uma forma de utilização ligeiramente diferente, chamemos-lhe de visão de esquerda ou direita, mas o principal problema de hoje e a grande questão relativa ao Estado, está na maximização da eficiência económica junto dos grandes indicadores macroeconómicos.
O Estado tem cada vez menos poder, há uniformização quase total nas políticas sociais, de justiça e económica; a pergunta está na forma concreta de solucionar os problemas: quem o pode conseguir? As políticas dos governos de esquerda ou direita? – Pouco importa; o importante é a eficiência e a equidade, que é concebida de forma semelhante entre os partidos.
A verdade é que o Estado vai tendo cada vez menos poder e é governado cada vez mais por tecnocratas e menos por políticos. Estes últimos ainda detêm um nicho de pensamento cada vez menor – e que se reduz à medida que há uma convergência negocial na esfera governamental. Por isso, as diferenças entre Esquerda e Direita vivem hoje de questões pontuais: aborto, valores cristãos, etc – e mesmo dentro destas há uma crescente mesclagem entre políticos de diferentes cores.
As funções primordiais do Estado são promovidas de forma diversa em diferentes períodos de tempo, mas essa diferença não vem de conceitos da liberalismo ou conservadorismo. Os exemplos óbvios chegam-nos actualmente na política externa: países de Esquerda e Direita contra a guerra no Iraque; países de Direita e Esquerda a favor. Se num caso tão escandalosamente propício a uma divisão, isso não aconteceu, jamais acontecerá de uma forma global no futuro.
Vivemos num mundo rendido à economia de mercado, da China aos países da antiga URSS, das pequenas ilhas do pacífico aos grandes continentes. Se o que resta da Esquerda não consegue ser contra isso, não será a Direita a fazê-lo.
Num processo democrático imperfeito, como aquele em que vivemos, com a abstenção a ser quase sempre a maioria ganhadora, quem beneficia claramente são os grupos de interesse. E estes não têm uma ideologia filosófica clara, vivendo de pequenas batalhas ganhas nos corredores das Assembleias, Senados e Palácios. Resta saber se haverá algum dia quem consiga lutar contra esta nova força que emerge de uma Globalização inevitável.
Segunda-feira, Outubro 15, 2007
Falta de Scolaridade
Lembremo-nos de alguns episódios da vida de Scolari desde que chegou a Portugal: disse que preferia estar em Itália, nunca chamou o Vítor Baía ou o João Pinto (este, irónicamente, por causa do murro que deu num jogo), chamou um brasileiro à Selecção Nacional (e quer chamar mais) e esteve quase a aceitar vários trabalhos, incluindo na equipa inglesa. Agora sabemos que é um descontrolado que, ainda por cima, não sabe dar murros. Ainda mais, sustentar que assim defendeu o Quaresma é ridículo.
Como treinador, tem cometido erros e por causa disso ainda não conseguimos uma fácil qualificação para o Europeu. Já em vários jogos, podíamos e devíamos ter ganho mas, em certa altura do jogo, resolveu recuar inexplicavelmente. Se Scolari tivesse comandado os portugueses em Aljubarrota, seríamos concerteza uma província espanhola. Não tenho nada contra o homem, mas há algumas situações que não consigo aceitar.
É certo que tem inegáveis méritos e que só uma mentalidade descontraída e descomplexada, como a brasileira, podiam fazer tanto pela auto-estima do povo - como aconteceu há três anos. Mas a forma como se tem comportado é triste e só quem não quer ver isso é que o pode considerar ao nível de outros brasileiros de sucesso no nosso país. E sou admirador de muitas das qualidades que eles trazem para aqui, como foi o caso da TAP. Mas há outros.
Lembremo-nos de alguns episódios da vida de Scolari desde que chegou a Portugal: disse que preferia estar em Itália, nunca chamou o Vítor Baía ou o João Pinto (este, irónicamente, por causa do murro que deu num jogo), chamou um brasileiro à Selecção Nacional (e quer chamar mais) e esteve quase a aceitar vários trabalhos, incluindo na equipa inglesa. Agora sabemos que é um descontrolado que, ainda por cima, não sabe dar murros. Ainda mais, sustentar que assim defendeu o Quaresma é ridículo.
Como treinador, tem cometido erros e por causa disso ainda não conseguimos uma fácil qualificação para o Europeu. Já em vários jogos, podíamos e devíamos ter ganho mas, em certa altura do jogo, resolveu recuar inexplicavelmente. Se Scolari tivesse comandado os portugueses em Aljubarrota, seríamos concerteza uma província espanhola. Não tenho nada contra o homem, mas há algumas situações que não consigo aceitar.
É certo que tem inegáveis méritos e que só uma mentalidade descontraída e descomplexada, como a brasileira, podiam fazer tanto pela auto-estima do povo - como aconteceu há três anos. Mas a forma como se tem comportado é triste e só quem não quer ver isso é que o pode considerar ao nível de outros brasileiros de sucesso no nosso país. E sou admirador de muitas das qualidades que eles trazem para aqui, como foi o caso da TAP. Mas há outros.
Quarta-feira, Outubro 10, 2007
Semana de luto
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97 anos de ilegalidade do regime republicano
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.: pense nisto :.
Sexta-feira, Outubro 05, 2007
Quinta-feira, Outubro 04, 2007
Filme da semana
Hostel I e IIDuas viagens (2006 e 2007) à Eslováquia tornadas num pesadelo, tanto para os personagens como para os espectadores. Uma ideia que podia ter saído da mente doentia de Quentin Tarantino, mas não saiu. De facto, o seu nome apenas aparece na promoção do filme. Ambos os filmes foram realizados por Eli Roth e Tarantino nem sequer ajudou no argumento.
“Hostel” consegue superar a morbidez violenta da série “Hellraiser”, por exemplo, introduzindo ainda mais carnificina. Se na primeira parte ainda se vislumbra um pouco de mistério e suspense, a segunda aspira pouco mais do que ser uma sucessão de momentos macabros. Os críticos podem vislumbrar humor no meio de tanto sangue, mas a verdade é que não era necessária tanta violência.
Quem não ficou contente com a visão americana da Europa foram as autoridades da Eslováquia e República Checa. E compreende-se porquê. O realizador não deixou de dar uma imagem de decadência e corrupção relativamente a ambos os países.
Com a sequela, o realizador explora cada vez mais os limites da visualização explícita. “Hostel II” entra de forma bem sucedida em alguns mistérios da mente humana, mas não tem base de apoio que o sustente, por isso não deixa de ser apenas uma obra com uma componente quase exclusiva de entretenimento por efeitos visuais fortes.
Como aspectos positivos, posso referir o casting, a direcção de actores e a fotografia, mas acredito que é um risco para qualquer profissional trabalhar neste tipo de produções, apesar da associação com Tarantino. Uma possível continuação (ainda maior) desta saga não vai concerteza trazer nada de novo, a não ser uma inevitável banalização do conceito.
“Hostel” consegue superar a morbidez violenta da série “Hellraiser”, por exemplo, introduzindo ainda mais carnificina. Se na primeira parte ainda se vislumbra um pouco de mistério e suspense, a segunda aspira pouco mais do que ser uma sucessão de momentos macabros. Os críticos podem vislumbrar humor no meio de tanto sangue, mas a verdade é que não era necessária tanta violência.
Quem não ficou contente com a visão americana da Europa foram as autoridades da Eslováquia e República Checa. E compreende-se porquê. O realizador não deixou de dar uma imagem de decadência e corrupção relativamente a ambos os países.
Com a sequela, o realizador explora cada vez mais os limites da visualização explícita. “Hostel II” entra de forma bem sucedida em alguns mistérios da mente humana, mas não tem base de apoio que o sustente, por isso não deixa de ser apenas uma obra com uma componente quase exclusiva de entretenimento por efeitos visuais fortes.
Como aspectos positivos, posso referir o casting, a direcção de actores e a fotografia, mas acredito que é um risco para qualquer profissional trabalhar neste tipo de produções, apesar da associação com Tarantino. Uma possível continuação (ainda maior) desta saga não vai concerteza trazer nada de novo, a não ser uma inevitável banalização do conceito.
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Quarta-feira, Outubro 03, 2007
Álbum da semana


Echoes, Silence, Patience and Grace - Foo Fighters
Dave Grohl é um dos mais criativos e talentosos músicos do “rock” americano. Quando ainda não tinha feito dezoito anos, juntou-se inesperadamente à banda de culto “Scream”. Passados quatro anos ajudou Kurt Cobain a fazer história com os “Nirvana” e logo depois do suicídio de Cobain formou os “Foo Fighters”. Tendo estado presente no mais fino requinte do “punk” e do “grunge”, quando Grohl formou a sua própria banda, levou todas essas tendências consigo e, reunindo alguns dos mais virtuosos músicos da sua geração, tem lançado álbuns com uma qualidade muito acima da média.
"Echoes, Silence, Patience and Grace" é seu o novo álbum e, verdade seja dita, não desilude. No deserto da música popular dos nossos tempos, este disco é uma lufada de ar fresco, ao estílo e nível a que os “Foo Fighters” nos habituaram.
Começa com a faixa “The Pretender”, som típico da banda, e continua com músicas que irão tocar repetidamente nas rádios durante o próximo ano, como “Let it die” e “Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running”. Por outro lado, “The Ballad of the Beaconsfield Miners” tem uma história engraçada: dois mineiros da Tansmânia ficaram presos numa mina durante duas semanas e, para levantar o espírito, pediram um “iPod” com músicas dos “Foo Fighters”. Quando Grohl soube, mandou um recado aos mineiros a dizer: “Olá rapazes, é o Dave. Vocês estão nos nossos pensamentos e orações. Quando sairem, terão dois bilhetes e duas cervejas frescas sempre que quiserem ver a banda”. Mais tarde fez esta música em sua honra. Resumindo, é um álbum a não perder, a todos os que quiserem também levantar um pouco o espírito.
"Echoes, Silence, Patience and Grace" é seu o novo álbum e, verdade seja dita, não desilude. No deserto da música popular dos nossos tempos, este disco é uma lufada de ar fresco, ao estílo e nível a que os “Foo Fighters” nos habituaram.
Começa com a faixa “The Pretender”, som típico da banda, e continua com músicas que irão tocar repetidamente nas rádios durante o próximo ano, como “Let it die” e “Cheer Up Boys, Your Makeup Is Running”. Por outro lado, “The Ballad of the Beaconsfield Miners” tem uma história engraçada: dois mineiros da Tansmânia ficaram presos numa mina durante duas semanas e, para levantar o espírito, pediram um “iPod” com músicas dos “Foo Fighters”. Quando Grohl soube, mandou um recado aos mineiros a dizer: “Olá rapazes, é o Dave. Vocês estão nos nossos pensamentos e orações. Quando sairem, terão dois bilhetes e duas cervejas frescas sempre que quiserem ver a banda”. Mais tarde fez esta música em sua honra. Resumindo, é um álbum a não perder, a todos os que quiserem também levantar um pouco o espírito.
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Terça-feira, Outubro 02, 2007
Laranjas sem vitamina C
Há cerca de quinze anos joguei uma partida de ténis contra o Dr. Marques Mendes, era ele na altura o número dois do famoso governo de Cavaco Silva. Na altura demonstrou ser muito esforçado, mas faltava-lhe técnica e talento natural. Também como líder do PSD revelou não ter carisma e isso afectou decisivamente o seu trabalho, porque nem só de vontade e suor vive a oposição em Portugal. Tristemente, é preciso o populismo fácil, a despreocupação egoísta e a vitimização infantil, tudo características que a esquerda portuguesa domina na perfeição. Mas a verdade é que no final das eleições, tal como no nosso jogo de ténis, soube perder de forma elegante e séria. Tal como há quinze anos, pensei logo que ele devia dedicar-se a outra coisa qualquer.
Luís Filipe Menezes é então o novo presidente social-democrata. O seu estilo e discurso são típicos da esquerda, mas tudo o resto é uma incógnita. Não vai ser difícil fazer uma oposição melhor do que o antecessor.
O PSD de hoje sofre de uma doença chamada escorbuto. É motivada pela falta de àcido ascórbico e caracteriza-se por feridas que não cicatrizam, inchaço, dores nas articulações e hemorragias. Também os sociais-democratas estão cada vez mais com falta de vitamina C e infligem-se a si próprios cortes profundos que talvez nunca mais parem de sangrar.
Há cerca de quinze anos joguei uma partida de ténis contra o Dr. Marques Mendes, era ele na altura o número dois do famoso governo de Cavaco Silva. Na altura demonstrou ser muito esforçado, mas faltava-lhe técnica e talento natural. Também como líder do PSD revelou não ter carisma e isso afectou decisivamente o seu trabalho, porque nem só de vontade e suor vive a oposição em Portugal. Tristemente, é preciso o populismo fácil, a despreocupação egoísta e a vitimização infantil, tudo características que a esquerda portuguesa domina na perfeição. Mas a verdade é que no final das eleições, tal como no nosso jogo de ténis, soube perder de forma elegante e séria. Tal como há quinze anos, pensei logo que ele devia dedicar-se a outra coisa qualquer.
Luís Filipe Menezes é então o novo presidente social-democrata. O seu estilo e discurso são típicos da esquerda, mas tudo o resto é uma incógnita. Não vai ser difícil fazer uma oposição melhor do que o antecessor.
O PSD de hoje sofre de uma doença chamada escorbuto. É motivada pela falta de àcido ascórbico e caracteriza-se por feridas que não cicatrizam, inchaço, dores nas articulações e hemorragias. Também os sociais-democratas estão cada vez mais com falta de vitamina C e infligem-se a si próprios cortes profundos que talvez nunca mais parem de sangrar.
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Segunda-feira, Outubro 01, 2007
A caricatura do país
O desporto nacional aparece na maior parte das vezes, sobretudo quando joga a selecção nacional, como uma forma de extravasar os ímpetos nacionalistas. O patriotismo de hoje em dia esgota-se no apoio incondicional a rapazes mimados e ricos, verdadeiros semi-deuses tratados como reis da antiguidade.
O ténis português é o exemplo mais perfeito de como é o povo português, no desporto e não só. Um amadorismo triste que sonha com voos mais altos, sentado à sombra de uma àrvore. Queixa-se de falta de meios, mas não faz nada para mudar a situação, simplesmente porque o ténis profissional é demasiado exigente. E também já vi jogos demais em que um português está quase a ganhar e a cometer uma proeza espectacular, mas que à última da hora vacila de forma inexplicável. Porquê? A explicação é simples: ganhar é muito mais difícil que perder, requer muito mais personalidade, convicção e talento.
No rugby voltámos aos velhos tempos do “perder com a cabeça erguida” e outras frases feitas que antigamente se utilizava muito no futebol. No mundial que ainda decorre, no meio das derrotas lusitanas, apareceram verdades muito limitadas, como “somos a única equipa completamente amadora do mundial” e outras do género. É triste a mentalidade de “coitadinhos” que gostamos tanto de apregoar, mas mais triste é disfarçar a falta de meios (e qualidade) com atributos de destaque.
Depois temos o basquetebol, o andebol e o voleibol, tudo modalidades em que somos “quase bons”, aquela qualidade que tanto gostamos por cá, por desculpar facilmente as derrotas e louvar as vitórias como feitos nacionais. Ao mesmo tempo, temos os desportos pouco visíveis mundialmente, como o hóquei e o triatlo, que servem para catapultar o nosso amor-próprio, quando tudo o resto falha: economia, educação, saúde, política.
Por fim, temos o futebol, o desporto mais popular na europa. Somos bons, como toda a gente sabe. E é interessante ver o que se passa quando isso acontece: guerras fratícidas, corrupção, desonestidade, falta de valores humanos, mesquinhez. Uma vontade irracional de auto-destruição por uma gentalha àvida de poder. – Se analizarmos o que aconteceu ao longo da nossa História, vemos que isso tudo é um reflexo inevitável da nossa forma de ser e agir. Ficarmos sem nada depois de termos tudo, aconteceu à nossa nacionalidade no século vinte por duas vezes e deixou-nos no estado miserável em que estamos.
O desporto nacional aparece na maior parte das vezes, sobretudo quando joga a selecção nacional, como uma forma de extravasar os ímpetos nacionalistas. O patriotismo de hoje em dia esgota-se no apoio incondicional a rapazes mimados e ricos, verdadeiros semi-deuses tratados como reis da antiguidade.
O ténis português é o exemplo mais perfeito de como é o povo português, no desporto e não só. Um amadorismo triste que sonha com voos mais altos, sentado à sombra de uma àrvore. Queixa-se de falta de meios, mas não faz nada para mudar a situação, simplesmente porque o ténis profissional é demasiado exigente. E também já vi jogos demais em que um português está quase a ganhar e a cometer uma proeza espectacular, mas que à última da hora vacila de forma inexplicável. Porquê? A explicação é simples: ganhar é muito mais difícil que perder, requer muito mais personalidade, convicção e talento.
No rugby voltámos aos velhos tempos do “perder com a cabeça erguida” e outras frases feitas que antigamente se utilizava muito no futebol. No mundial que ainda decorre, no meio das derrotas lusitanas, apareceram verdades muito limitadas, como “somos a única equipa completamente amadora do mundial” e outras do género. É triste a mentalidade de “coitadinhos” que gostamos tanto de apregoar, mas mais triste é disfarçar a falta de meios (e qualidade) com atributos de destaque.
Depois temos o basquetebol, o andebol e o voleibol, tudo modalidades em que somos “quase bons”, aquela qualidade que tanto gostamos por cá, por desculpar facilmente as derrotas e louvar as vitórias como feitos nacionais. Ao mesmo tempo, temos os desportos pouco visíveis mundialmente, como o hóquei e o triatlo, que servem para catapultar o nosso amor-próprio, quando tudo o resto falha: economia, educação, saúde, política.
Por fim, temos o futebol, o desporto mais popular na europa. Somos bons, como toda a gente sabe. E é interessante ver o que se passa quando isso acontece: guerras fratícidas, corrupção, desonestidade, falta de valores humanos, mesquinhez. Uma vontade irracional de auto-destruição por uma gentalha àvida de poder. – Se analizarmos o que aconteceu ao longo da nossa História, vemos que isso tudo é um reflexo inevitável da nossa forma de ser e agir. Ficarmos sem nada depois de termos tudo, aconteceu à nossa nacionalidade no século vinte por duas vezes e deixou-nos no estado miserável em que estamos.
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