Pretendentes ao Trono?
Tem circulado pela internet uma fotografia onde se vêem dois pretensos "pretendentes" ao trono português de braço dado: o Sr. Rosário Poidimani e o Sr. Duque de Loulé. Este blog não a publicou e não o fará. Aliás, em todos estes anos online, nem sequer mencionámos o nome ou admitimos a existência de mais algum pretendente, além do Sr. Dom Duarte de Bragança. Estamos à espera que exista uma manifestação de vontade credível, planeada e sóbria.
Abriremos uma única excepção hoje, para falar de um comunicado da Casa de Loulé, a respeito da mencionada fotografia, que tem sido veículado desde ontem.
"
Tendo sido produzidos comentários incorrectos e tendenciosos a propósito de uma fotografia divulgada no forum monárquicos.com, na qual eram vistos o Duque de Loulé, Luis Bivar e o Sr. Rosário Poidimani, cumpre esclarecer o seguinte:
1. Nunca houve qualquer pacto ou acordo entre o Duque de Loulé e o Sr. Rosário Poidimani.
2. Houve, de facto, um encontro entre o Duque de Loulé, Luis Bivar e o Sr. Rosário Poidimani, que ocorreu em Verona, em Fevereiro de 2007.
3. A aceitação, por parte do Duque de Loulé e de Luis Bivar, para a realização desse encontro radicou na convicção de que seria ainda possível, tendo em conta sinais claros nesse sentido, demover o Sr. Rosário Poidimani das suas insustentáveis pretensões relativamente à Casa Real de Portugal e levá-lo a orientar o seu tão apregoado interesse por Portugal para projectos credíveis no nosso país.
4. Considerando, por outro lado, que uma das razões invocadas pelo Sr. Rosário Poidimani para insistir naquelas pretensões era a reabilitação da memória da alegada filha ilegítima do Rei D. Carlos, conhecida quer por Ilda Toledano, quer por Maria Pia de Saxe-Coburgo-Bragança, o Duque de Loulé e Luis Bivar manifestaram, então, a sua disponibilidade para apoiarem tal reabilitação, desde que essa filiação fosse comprovada, através de processos medico-legais (ADN) idóneos, embora tivessem, desde logo, advertido que, face ao direito aplicável, mesmo que fosse comprovada a filiação, não assistiam àquela senhora quaisquer direitos dinásticos.
5. Não tendo o Sr. Rosário Poidimani aceite as sugestões e conselhos que, de boa-fé, lhe foram transmitidos pelo Duque de Loulé e por Luis Bivar, entenderam estes que o assunto estava definitivamente encerrado e, desde então, apenas sabem sobre o Sr. Poidimani o que a imprensa relata.
6. As especulações geradas, agora, à volta de uma fotografia tirada há um ano e desde sempre conhecida, revelam bem as intenções e os métodos daqueles que, em desespero de causa, tudo têm feito para desviar atenções e evitar que a questão dinástica seja conhecida e debatida publicamente.
7. Tomara que, ao longo dos muitos anos de humilhantes e infrutíferas disputas judiciais e extra-judiciais travadas com o Sr. Rosário Pouidimani, cujos contornos ainda são desconhecidos publicamente, tivesse havido a dignidade, a isenção e a segurança demonstradas pelo Duque de Loulé no referido encontro de há um ano.
Luis Bivar de Azevedo
Porta-Voz do Duque de Loulé
"
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Sobre este Esclarecimento, temos pois alguns comentários e perguntas a fazer, nunca duvidando da boa-fé do Sr. Duque de Loulé ou do Sr. Luís Bivar.
1) Se o encontro teve o objectivo exposto, então porque é que foi necessário secretismo?
2) Se o Sr. Duque de Loulé queria unicamente "demover o Sr. Rosário Poidimani das suas insustentáveis pretensões", então porque é que se deixou fotografar numa pose tão amigável?
Claro que é o próprio comunicado que responde a esta pergunta quando acrescenta que queria simplesmente "levá-lo a orientar o seu tão apregoado interesse por Portugal para projectos credíveis no nosso país". Ficámos então todos a saber que o Sr. Duque de Loulé é o novo orientador do Sr. Poidimani e que o quer ajudar nos seus empreendimentos. Já agora, que "sinais claros" o Sr. Duque de Loulé conhecia, que pudessem demover o Sr. Poidiminai?
3) O ponto 4 do comunicado é o que tem mais contradições. No caso da "reabilitação da memória da alegada filha ilegítima do Rei D. Carlos", primeiro o Sr. Duque de Loulé e o Sr. Bivar "manifestaram a sua disponibilidade para apoiarem tal reabilitação", mas depois acrescentam que "embora tivessem, desde logo, advertido que, face ao direito aplicável, mesmo que fosse comprovada a filiação, não assistiam àquela senhora quaisquer direitos dinásticos". Ninguém de boa-fé consegue entender porque é que seriam necessários testes de ADN sem utilidade prática. Ou haveria de facto outro interesse subjacente?
4) O comunicado refere que o sr. Duque de Loulé e o sr. Podimani "entenderam que o assunto estava definitivamente encerrado e, desde então, apenas sabem sobre o Sr. Poidimani o que a imprensa relata." Se é verdade que esta foi realmente a sucessão temporal de eventos, então porque é que foi preciso uma fotografia perdida a desvendar o que aconteceu? Porque é que o sr. Duque de Loulé não se preocupou em fazer um comunicado "em Fevereiro de 2007"?
5) Quando o comunicado refere que se pretende "desviar atenções e evitar que a questão dinástica seja conhecida e debatida publicamente", a que debate se refere exactamente? Na internet, espaço priveligiado de comunicação dos tempos actuais, tem havido um amplo debate sober as mais diversas questões monárquicas. De que forma o Sr. Duque de Loulé tem participado?
Há uma nova geração que quer discutir a Monarquia em Portugal, promovendo debates com grande audiência, descobrindo novas formas de formar e educar a cultura histórica dos portugueses, encontrando soluções reais para os problemas do nosso país e mobilizando monárquicos que têm andado adormecidos há quase cem anos. Qual o contributo para tudo isto do Sr. Duque de Loulé?
Melhores cumprimentos,
Diogo Araújo Dantas
Quinta-feira, Março 27, 2008
Domingo, Março 23, 2008
Sexta-feira, Março 21, 2008
Via Sacra

2ª estação – Jesus recebe a cruz
3ª estação – Jesus cai pela primeira vez
4ª estação – Jesus encontra-se com sua mãe
5ª estação – Jesus é ajudado por Cireneu
6ª estação – Verônica enxuga o rosto de Jesus
7ª estação – Jesus cai pela segunda vez
8ª estação – Jesus encontra as santas mulheres
9ª estação – Jesus cai pela terceira vez
10ª estação – Jesus é despojado de suas vestes
11ª estação – Jesus é pregado na cruz
12ª estação – Jesus morre na cruz
13ª estação – Jesus é descido da cruz
14ª estação – Jesus é sepultado
15ª estação – A ressurreição de Jesus

1ª estação – Jesus é condenado à morte
Texto: Jo 19, 12-16
2ª estação – Jesus recebe a cruz
Texto: Jo 19, 16-17
3ª estação – Jesus cai pela primeira vez
Texto: Is 50, 5-7
4ª estação – Jesus encontra-se com sua mãe
Texto: Lc 11, 34-35
5ª estação – Jesus é ajudado por Cireneu
Texto: Lc 23, 26
6ª estação – Verônica enxuga o rosto de Jesus
Texto: Is 53, 3
7ª estação – Jesus cai pela segunda vez
Texto: Is 53, 4-5
8ª estação – Jesus encontra as santas mulheres
Texto: Lc 23, 17-18
9ª estação – Jesus cai pela terceira vez
Texto: Is 53, 8-9
10ª estação – Jesus é despojado de suas vestes
Texto: Mc 15, 24
11ª estação – Jesus é pregado na cruz
Texto: Lc 23, 33-34
12ª estação – Jesus morre na cruz
Texto: Jo 19, 28
13ª estação – Jesus é descido da cruz
Texto: Jo 19, 38
14ª estação – Jesus é sepultado
Texto: Jo 19, 40-42
15ª estação – A ressurreição de Jesus
Texto: Mt 28, 1-6
Quinta-feira, Março 20, 2008
Sexta-feira, Março 14, 2008
Que energias para o nosso futuro?
Por Dom Duarte de Bragança
Há a impressão generalizada que o problema dos recursos energéticos é tratado de modo pouco coerente com o interesse nacional.
Desistimos de acabar a barragem de Foz Côa, com a louvável preocupação de salvar as gravuras? Ou terá sido por motivos político-eleitorais? Poderiam deslocar as principais gravuras e cobrir as outras com uma camada protectora. Quando no futuro essa fonte de energia for dispensável, a barragem poderia ser esvaziada e as gravuras expostas, se tal for o desejo dos portugueses dessa época...
Quanto à “opção nuclear”, deveria ser abordada não de modo emocional, mas após um amplo debate científico, considerando a experiência dos países mais avançados e as inovações tecnológicas que tornaram as centrais mais seguras, apesar de não terem resolvido todos os problemas. Por essa opção de lado por ser incómoda, não é inteligente.
O gás natural nos automóveis é menos poluente e mais vantajoso? Pois não somos encorajados nesse sentido, as bombas são difíceis de encontrar e os estacionamentos discriminam os seus utilizadores, por motivos discutíveis...
Nas regiões rurais seria fácil e barato produzir o gás metano através dafermentação de resíduos agrícolas e florestais, tanto de modo artesanal como industrial, mas não tem havido encorajamentos nesse sentido, pelo contrário… Em todo o caso para os automóveis a melhor solução parece ser a dos motores eléctricos, mas não recebem qualquer apoio fiscal que os torne mais baratos.
Quanto à electricidade eólica a situação é pouca clara. Ela é paga emPortugal de uma forma exageradamente favorável às empresas e fica muito cara Até pode ser uma boa solução, se cuidarmos da defesa de algumas das nossas paisagens.
A produção da matéria-prima para os "bio combustíveis" vai competir com a produção de alimentos, levando à escassez destes e ao aumento da fome no Mundo, e o seu uso produz a mesma quantidade de CO2 que a gasolina. A médio prazo a solução preferível seria melhorar a eficiência energética.Nos transportes os mais eficientes são claramente os navios e os comboios. Mas por cá encorajamos o transporte rodoviário e individual, dando sempre prioridade às auto-estradas antes de melhorar os transportes ferroviários.
Segundo o Professor Delgado Domingos, do Partido da Terra, vivemos acima das nossas possibilidades.Gastamos, por habitante, apenas menos 10% de energia que no Reino da Dinamarca, mas consumimos cerca do dobro da energia para produzir a mesma unidade de riqueza.Graças à U.E. vemos alguns encorajamentos para que a indústria economize, mas a construção civil moderna pouco se preocupa com isso e depende cada vez mais do ar condicionado altamente consumidor de energia.
Temos que nos preparar para as alterações climáticas que virão em breve. Precisamos de uma “revolução cultural” para que o bem comum, a “respublica“, possa passar à frente dos interesses privados. Essa mudança de atitudes terá que partir dos portugueses mais lúcidos e interessados no nosso futuro colectivo!
Dom Duarte de Bragança
Por Dom Duarte de Bragança
Há a impressão generalizada que o problema dos recursos energéticos é tratado de modo pouco coerente com o interesse nacional.
Desistimos de acabar a barragem de Foz Côa, com a louvável preocupação de salvar as gravuras? Ou terá sido por motivos político-eleitorais? Poderiam deslocar as principais gravuras e cobrir as outras com uma camada protectora. Quando no futuro essa fonte de energia for dispensável, a barragem poderia ser esvaziada e as gravuras expostas, se tal for o desejo dos portugueses dessa época...
Quanto à “opção nuclear”, deveria ser abordada não de modo emocional, mas após um amplo debate científico, considerando a experiência dos países mais avançados e as inovações tecnológicas que tornaram as centrais mais seguras, apesar de não terem resolvido todos os problemas. Por essa opção de lado por ser incómoda, não é inteligente.
O gás natural nos automóveis é menos poluente e mais vantajoso? Pois não somos encorajados nesse sentido, as bombas são difíceis de encontrar e os estacionamentos discriminam os seus utilizadores, por motivos discutíveis...
Nas regiões rurais seria fácil e barato produzir o gás metano através dafermentação de resíduos agrícolas e florestais, tanto de modo artesanal como industrial, mas não tem havido encorajamentos nesse sentido, pelo contrário… Em todo o caso para os automóveis a melhor solução parece ser a dos motores eléctricos, mas não recebem qualquer apoio fiscal que os torne mais baratos.
Quanto à electricidade eólica a situação é pouca clara. Ela é paga emPortugal de uma forma exageradamente favorável às empresas e fica muito cara Até pode ser uma boa solução, se cuidarmos da defesa de algumas das nossas paisagens.
A produção da matéria-prima para os "bio combustíveis" vai competir com a produção de alimentos, levando à escassez destes e ao aumento da fome no Mundo, e o seu uso produz a mesma quantidade de CO2 que a gasolina. A médio prazo a solução preferível seria melhorar a eficiência energética.Nos transportes os mais eficientes são claramente os navios e os comboios. Mas por cá encorajamos o transporte rodoviário e individual, dando sempre prioridade às auto-estradas antes de melhorar os transportes ferroviários.
Segundo o Professor Delgado Domingos, do Partido da Terra, vivemos acima das nossas possibilidades.Gastamos, por habitante, apenas menos 10% de energia que no Reino da Dinamarca, mas consumimos cerca do dobro da energia para produzir a mesma unidade de riqueza.Graças à U.E. vemos alguns encorajamentos para que a indústria economize, mas a construção civil moderna pouco se preocupa com isso e depende cada vez mais do ar condicionado altamente consumidor de energia.
Temos que nos preparar para as alterações climáticas que virão em breve. Precisamos de uma “revolução cultural” para que o bem comum, a “respublica“, possa passar à frente dos interesses privados. Essa mudança de atitudes terá que partir dos portugueses mais lúcidos e interessados no nosso futuro colectivo!
Dom Duarte de Bragança
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Quinta-feira, Março 13, 2008
Pelo Direito à Saúde e Educação no Interior
Para: Assembleia da República e Governo
A saúde e a educação em Portugal, em particular no Interior, são áreas de especial fragilidade que constantemente têm sido postas em causa. Pela sua importância, pelo caracter humano, esta é uma causa de todos nós!
Não queremos fazer nosso o discurso do Interior ostracizado. Sabemos, isso sim, que um Sistema de Saúde eficiente e de Educação de excelência são requisitos fundamentais para desenvolver as potencialidades do Interior e melhorar as condições de vida dos seus habitantes. Para um Portugal de e com futuro, para um País que se orgulhe de sí mesmo, que progrida e avance, é necessário que todos os seus cidadãos possam usufruir de serviços de qualidade, independentemente da sua localização geográfica.
Face aos constantes e injustificados encerramentos na área de saúde e à teimosia que impera na tutela da educação, torna-se fundamental agir. Pela racionalização, desenvolvimento e melhoria dos serviços à população nestas áreas, contamos com a sua subscrição.
Assine aqui
Para: Assembleia da República e Governo
A saúde e a educação em Portugal, em particular no Interior, são áreas de especial fragilidade que constantemente têm sido postas em causa. Pela sua importância, pelo caracter humano, esta é uma causa de todos nós!
Não queremos fazer nosso o discurso do Interior ostracizado. Sabemos, isso sim, que um Sistema de Saúde eficiente e de Educação de excelência são requisitos fundamentais para desenvolver as potencialidades do Interior e melhorar as condições de vida dos seus habitantes. Para um Portugal de e com futuro, para um País que se orgulhe de sí mesmo, que progrida e avance, é necessário que todos os seus cidadãos possam usufruir de serviços de qualidade, independentemente da sua localização geográfica.
Face aos constantes e injustificados encerramentos na área de saúde e à teimosia que impera na tutela da educação, torna-se fundamental agir. Pela racionalização, desenvolvimento e melhoria dos serviços à população nestas áreas, contamos com a sua subscrição.
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O tempo na prisão
“O tempo é lento, menos quando estamos aqui nas oficinas, porque na ala ficamos malucas. Quando pensamos demais, vem tudo de mau à cabeça, todas aquelas coisas que não queremos relembrar”, lamenta, num suspiro aliviado, uma reclusa. A pena é uma hipoteca da vida e só tem uma forma de pagamento: o tempo.
Aqui o tempo tem um conceito completamente diferente do normal. Esqueçamos as teorias de Darwin e Einstein, porque na prisão os minutos são horas, as horas são dias e os dias são o principal inimigo do recluso. O ponteiro dos segundos do relógio é um torturador sádico que teima em relembrar que a pena afinal é eterna. Para a sociedade, e sobretudo para o recluso, a prisão é um purgatório de expiação de pecados muitas vezes inconfessáveis. A diferença em relação à concepção teológica é que no final não irá existir um paraíso, mas sim o regresso a outro inferno qualquer. E enquanto isto não acontece, a espera é tudo o que resta – uma espera que parece interminável, numa vida que parou algures no caminho.
A principal arma contra o tempo é o trabalho, disto não tenhamos dúvidas. Além de tirar da mente os pensamentos que arrastam consigo toda a espécie de problemas psicossomáticos, é um estímulo imprescindível para o aumento da auto-estima e da valorização pessoal. O próprio conceito adjacente a quem é detentor duma profissão, implica o estabelecimento duma identidade activa e participativa no contexto social. A partir do momento em que o recluso se insere, de forma continuada, em determinada brigada laboral, está a incluir-se num grupo profissional particular – e, embora não estejamos a falar dum emprego dum cidadão “normal”, contém em si muitos dos pressupostos básicos que formam a estrutura mental de qualquer trabalhador: o prazer na visão do produto final; a integração no esquema de procedimentos normalizados; a realização pessoal; a construção de hierarquias; o companheirismo ou conflituosidade nas relações localizadas; e as expectativas de reconhecimento do esforço.
Mesmo que muitas das circunstâncias sejam redutoras, já que estamos a falar de alguém que está privado da liberdade, não podemos minimizar a evolução do desenvolvimento comportamental do recluso em diferentes espaços de tempo – e muito menos deixar de analisar o que passa concretamente nas oficinas prisionais. Mais ainda: a observação da reclusa, na sua rotina diária do trabalho, deve ser ferramenta essencial para se poder aferir das reais condições de reinserção em diferentes momentos da pena.
Diogo Dantas
"Está alguém aí fora – estudo sobre o trabalho oficinal numa cadeia”
© Revista Temas Penitenciários, 2005
“O tempo é lento, menos quando estamos aqui nas oficinas, porque na ala ficamos malucas. Quando pensamos demais, vem tudo de mau à cabeça, todas aquelas coisas que não queremos relembrar”, lamenta, num suspiro aliviado, uma reclusa. A pena é uma hipoteca da vida e só tem uma forma de pagamento: o tempo.
Aqui o tempo tem um conceito completamente diferente do normal. Esqueçamos as teorias de Darwin e Einstein, porque na prisão os minutos são horas, as horas são dias e os dias são o principal inimigo do recluso. O ponteiro dos segundos do relógio é um torturador sádico que teima em relembrar que a pena afinal é eterna. Para a sociedade, e sobretudo para o recluso, a prisão é um purgatório de expiação de pecados muitas vezes inconfessáveis. A diferença em relação à concepção teológica é que no final não irá existir um paraíso, mas sim o regresso a outro inferno qualquer. E enquanto isto não acontece, a espera é tudo o que resta – uma espera que parece interminável, numa vida que parou algures no caminho.
A principal arma contra o tempo é o trabalho, disto não tenhamos dúvidas. Além de tirar da mente os pensamentos que arrastam consigo toda a espécie de problemas psicossomáticos, é um estímulo imprescindível para o aumento da auto-estima e da valorização pessoal. O próprio conceito adjacente a quem é detentor duma profissão, implica o estabelecimento duma identidade activa e participativa no contexto social. A partir do momento em que o recluso se insere, de forma continuada, em determinada brigada laboral, está a incluir-se num grupo profissional particular – e, embora não estejamos a falar dum emprego dum cidadão “normal”, contém em si muitos dos pressupostos básicos que formam a estrutura mental de qualquer trabalhador: o prazer na visão do produto final; a integração no esquema de procedimentos normalizados; a realização pessoal; a construção de hierarquias; o companheirismo ou conflituosidade nas relações localizadas; e as expectativas de reconhecimento do esforço.
Mesmo que muitas das circunstâncias sejam redutoras, já que estamos a falar de alguém que está privado da liberdade, não podemos minimizar a evolução do desenvolvimento comportamental do recluso em diferentes espaços de tempo – e muito menos deixar de analisar o que passa concretamente nas oficinas prisionais. Mais ainda: a observação da reclusa, na sua rotina diária do trabalho, deve ser ferramenta essencial para se poder aferir das reais condições de reinserção em diferentes momentos da pena.
Diogo Dantas
"Está alguém aí fora – estudo sobre o trabalho oficinal numa cadeia”
© Revista Temas Penitenciários, 2005
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Terça-feira, Março 11, 2008
Debate Monarquia/República na RTP1
Em primeiro lugar devo dizer que os republicanos estavam muito mal preparados, o que se entende. Os monárquicos estavam quase tão mal, o que não se perdoa. A nossa melhor organização, dos últimos tempos, foi mal utilizada.
Temia que as Reais e a velha guarda tivessem a voz. E foi o que aconteceu, para muita pena minha. Lamento muito não ter ouvido mais o Professor Mendo Castro Henriques. O Paulo Teixeira Pinto ainda não tinha provas dadas entre os monárquicos e, a meu ver, não as deu. Falta-lhe motivação.
Os republicanos carregaram na mesma tecla de sempre, da pretensa igualdade entre os cidadãos para chegar ao topo. Os monárquicos falaram demasiado em identidade nacional, no passado e nas questões afectivas. Gonçalo Ribeiro Telles, o mais velho presente, foi o que mais falou de futuro. Faço também referência a um facto: o mais jovem dos monárquicos a falar foi o Paulo Teixeira Pinto, com quase cinquenta anos.
O circulo fechado da oligarquia do poder político foi raramente falado, esqueceu-se completamente os benefícios económicos da Monarquia, alguns argumentos ridículos republicanos não foram aproveitados.
O António Sousa Cardozo esteve muito bem, provavelmente o melhor entre os monárquicos. O Adelino Maltez cumpriu muito bem o seu papel e como orador foi o melhor, explicando muito bem as suas ideias. Os defendores da República foram altivos e civilizados, exactamente porque não foram espicaçados e porque se lhes deu essa oportunidade.
Termino a elogiar a Fátima Campos Ferreira - tirando o reparo sobre a escolha. Foi isenta e colocou bem as perguntas. Esta foi uma oportunidade única - que não foi bem aproveitada, quer queiramos quer não.
Temia que as Reais e a velha guarda tivessem a voz. E foi o que aconteceu, para muita pena minha. Lamento muito não ter ouvido mais o Professor Mendo Castro Henriques. O Paulo Teixeira Pinto ainda não tinha provas dadas entre os monárquicos e, a meu ver, não as deu. Falta-lhe motivação.
Os republicanos carregaram na mesma tecla de sempre, da pretensa igualdade entre os cidadãos para chegar ao topo. Os monárquicos falaram demasiado em identidade nacional, no passado e nas questões afectivas. Gonçalo Ribeiro Telles, o mais velho presente, foi o que mais falou de futuro. Faço também referência a um facto: o mais jovem dos monárquicos a falar foi o Paulo Teixeira Pinto, com quase cinquenta anos.
O circulo fechado da oligarquia do poder político foi raramente falado, esqueceu-se completamente os benefícios económicos da Monarquia, alguns argumentos ridículos republicanos não foram aproveitados.
O António Sousa Cardozo esteve muito bem, provavelmente o melhor entre os monárquicos. O Adelino Maltez cumpriu muito bem o seu papel e como orador foi o melhor, explicando muito bem as suas ideias. Os defendores da República foram altivos e civilizados, exactamente porque não foram espicaçados e porque se lhes deu essa oportunidade.
Termino a elogiar a Fátima Campos Ferreira - tirando o reparo sobre a escolha. Foi isenta e colocou bem as perguntas. Esta foi uma oportunidade única - que não foi bem aproveitada, quer queiramos quer não.
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Segunda-feira, Março 10, 2008
Petição da Linha do Douro
Pela revitalização da Linha do Douro e pela reabertura do troço ferroviário entre Pocinho e Barca de Alva
Dirigida a: Presidente da Assembleia da República Portuguesa; Primeiro-Ministro do Governo Português; Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações; Deputados da Assembleia da República
- Considerando que, no séc. XIX, a linha do Douro provocou uma revolução nas comunicações, permitindo a ligação rápida do Douro Litoral ao Interior e do Alto Douro ao Litoral e de ambos à Espanha e à Europa;
- Considerando que a ferrovia trouxe progresso a toda a sua área de influência pela mobilidade de pessoas que propiciou, pela movimentação de mercadorias que permitiu e pelas actividades que atraiu;
- Considerando que o declínio da linha se deveu à falta de investimento na sua remodelação e melhoria, ao corte das ligações internacionais e à supressão dos troços mais afastados do litoral, começando pelas vias laterais e atingindo depois a via principal, o que trouxe isolamento, atrofia e empobrecimento de toda a região duriense do mar à fronteira;
- Considerando que toda esta vasta bacia do Douro tem direito no séc. XXI a dispor de fáceis ligações ferroviárias internas do mar à fronteira e daqui à Europa, para fácil deslocação de mercadorias e pessoas;
- Considerando que a Assembleia da República, pela sua Resolução nº1/2007, de 19 de Janeiro, recomendou ao Governo a requalificação da Linha do Douro;
- Considerando que em Espanha está em andamento a reabilitação da linha-férrea de Santo Esteban a Barca de Alva, o que coloca novamente a via ferroviária na fronteira portuguesa;
Propomos:
1) A reactivação da linha do Douro do Pocinho a Barca de Alva;
2) O restabelecimento das ligações ferroviárias, via Barca de Alva, até Salamanca e Valladolid, permitindo o acesso, a partir daí, para a Europa;
3) A qualificação da linha do Douro como eixo ferroviário fundamental para a vasta região do Porto à fronteira de Barca de Alva, incluindo a sua acessibilidade ao interior espanhol e à Europa, eixo esse a merecer por isso forte investimento;
4) A união de esforços desta Assembleia com todas as Assembleias Municipais e Câmaras Municipais dos concelhos que são atravessados ou servidos por esta ferrovia, para que a revitalização da linha do Douro se torne uma realidade.
Assine aqui
Pela revitalização da Linha do Douro e pela reabertura do troço ferroviário entre Pocinho e Barca de Alva
Dirigida a: Presidente da Assembleia da República Portuguesa; Primeiro-Ministro do Governo Português; Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações; Deputados da Assembleia da República
- Considerando que, no séc. XIX, a linha do Douro provocou uma revolução nas comunicações, permitindo a ligação rápida do Douro Litoral ao Interior e do Alto Douro ao Litoral e de ambos à Espanha e à Europa;
- Considerando que a ferrovia trouxe progresso a toda a sua área de influência pela mobilidade de pessoas que propiciou, pela movimentação de mercadorias que permitiu e pelas actividades que atraiu;
- Considerando que o declínio da linha se deveu à falta de investimento na sua remodelação e melhoria, ao corte das ligações internacionais e à supressão dos troços mais afastados do litoral, começando pelas vias laterais e atingindo depois a via principal, o que trouxe isolamento, atrofia e empobrecimento de toda a região duriense do mar à fronteira;
- Considerando que toda esta vasta bacia do Douro tem direito no séc. XXI a dispor de fáceis ligações ferroviárias internas do mar à fronteira e daqui à Europa, para fácil deslocação de mercadorias e pessoas;
- Considerando que a Assembleia da República, pela sua Resolução nº1/2007, de 19 de Janeiro, recomendou ao Governo a requalificação da Linha do Douro;
- Considerando que em Espanha está em andamento a reabilitação da linha-férrea de Santo Esteban a Barca de Alva, o que coloca novamente a via ferroviária na fronteira portuguesa;
Propomos:
1) A reactivação da linha do Douro do Pocinho a Barca de Alva;
2) O restabelecimento das ligações ferroviárias, via Barca de Alva, até Salamanca e Valladolid, permitindo o acesso, a partir daí, para a Europa;
3) A qualificação da linha do Douro como eixo ferroviário fundamental para a vasta região do Porto à fronteira de Barca de Alva, incluindo a sua acessibilidade ao interior espanhol e à Europa, eixo esse a merecer por isso forte investimento;
4) A união de esforços desta Assembleia com todas as Assembleias Municipais e Câmaras Municipais dos concelhos que são atravessados ou servidos por esta ferrovia, para que a revitalização da linha do Douro se torne uma realidade.
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Petição
The Darjeeling Limited


Viagem espiritual de três irmãos (Owen Wilson, Adrien Brody e Jason Schwartzman) pela India, terra de gurus, exotismo e iluminação espiritual, tentando arranjar um sentido para a vida, algo que a transforme ou a modele. O comboio, que Bill Murray não consegue apanhar logo no início, tem o nome do título do filme e leva os três irmãos a uma série de descobertas pessoais que os une novamente.
Muito dificilmente poderemos apelidar este filme dentro do género comédia. Mas tem características muito criativas. O cenário e música de fundo são predominantemente indianos (mas não procure aqui uma linha coerente), o visual é absolutamente retro e o estilo predominante é o dos anos setenta. Os actores são excelentes e suportam grande parte do filme, mas uma das grandes mais-valias é a realização de Wes Anderson, que também é um dos produtores e escritores de serviço. Owen Wilson está fantástico, Jason Schwartzman (também escreveu o argumento) brilhante e Adrien Brody fenomenal.
É curioso e muito interessante que Owen Wilson tenha feito um filme destes, menos cómico do que é costume e de descoberta pessoal, depois da tentativa de suicidio e fase difícil da sua vida, ligada às drogas e a dependências.
O argumento é inteligente. Aliás, há cada vez menos guiões medíocres em Hollywood e os profetas da desgraça, que clamam pela qualidade do cinema europeu e brasileiro, têm muito a aprender com a meca do cinema. Mesmo em filmes sem grandes objectivos ou sabedorias inerentes, há sempre algo de bom em obras com bons argumentistas - e os melhores estão na costa ocidental e oriental dos EUA, quer se queira ou não. As melhores escolas do ramo também são lá, quer se queira ou não, porque o ensino clássico europeu não se compatibiza com este género de escrita criativa.
Muito dificilmente poderemos apelidar este filme dentro do género comédia. Mas tem características muito criativas. O cenário e música de fundo são predominantemente indianos (mas não procure aqui uma linha coerente), o visual é absolutamente retro e o estilo predominante é o dos anos setenta. Os actores são excelentes e suportam grande parte do filme, mas uma das grandes mais-valias é a realização de Wes Anderson, que também é um dos produtores e escritores de serviço. Owen Wilson está fantástico, Jason Schwartzman (também escreveu o argumento) brilhante e Adrien Brody fenomenal.
É curioso e muito interessante que Owen Wilson tenha feito um filme destes, menos cómico do que é costume e de descoberta pessoal, depois da tentativa de suicidio e fase difícil da sua vida, ligada às drogas e a dependências.
O argumento é inteligente. Aliás, há cada vez menos guiões medíocres em Hollywood e os profetas da desgraça, que clamam pela qualidade do cinema europeu e brasileiro, têm muito a aprender com a meca do cinema. Mesmo em filmes sem grandes objectivos ou sabedorias inerentes, há sempre algo de bom em obras com bons argumentistas - e os melhores estão na costa ocidental e oriental dos EUA, quer se queira ou não. As melhores escolas do ramo também são lá, quer se queira ou não, porque o ensino clássico europeu não se compatibiza com este género de escrita criativa.
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Quarta-feira, Março 05, 2008
John McCain
Caso seja eleito será o Presidente dos E. U. mais velho de sempre. Há alguns meses estava muito longe do local onde está agora, com pouca gente a acreditar que pudesse ser o candidato republicano, sem dinheiro, sem “staff” e sem apoiantes. Mas a verdade é que conseguiu, contra muitos.
Esteve nos últimos anos a representar os republicanos nos programas liberais com grande audiência na América, o que lhe valeu grande popularidade entre os democratas. Mais ainda, há muita gente que diz que ele tem mais popularidade entre o partido rival do que no próprio partido.
Vai ter uma grande batalha pela frente, mas acredito que irá ganhar a corrida presidencial. Os republicanos vão preferi-lo como “menos mau” e votar nele, o mesmo acontecendo com muitos democratas, onde ganhou grande popularidade nos últimos anos.
É um resistente, um lutador e com um estilo muito diferente de W. Bush. Tem sido cauteloso nas promessas, mas já se percebeu que apoia incondicionalmente as guerras americanas contra o Iraque e o Afeganistão. Em assuntos internos é um conservador, proteccionista irredutível. Mas entende os problemas sociais dos E.U.A. e pode ter algo de novo a dizer. O mundo vai estar a ouvi-lo.
Caso seja eleito será o Presidente dos E. U. mais velho de sempre. Há alguns meses estava muito longe do local onde está agora, com pouca gente a acreditar que pudesse ser o candidato republicano, sem dinheiro, sem “staff” e sem apoiantes. Mas a verdade é que conseguiu, contra muitos.
Esteve nos últimos anos a representar os republicanos nos programas liberais com grande audiência na América, o que lhe valeu grande popularidade entre os democratas. Mais ainda, há muita gente que diz que ele tem mais popularidade entre o partido rival do que no próprio partido.
Vai ter uma grande batalha pela frente, mas acredito que irá ganhar a corrida presidencial. Os republicanos vão preferi-lo como “menos mau” e votar nele, o mesmo acontecendo com muitos democratas, onde ganhou grande popularidade nos últimos anos.
É um resistente, um lutador e com um estilo muito diferente de W. Bush. Tem sido cauteloso nas promessas, mas já se percebeu que apoia incondicionalmente as guerras americanas contra o Iraque e o Afeganistão. Em assuntos internos é um conservador, proteccionista irredutível. Mas entende os problemas sociais dos E.U.A. e pode ter algo de novo a dizer. O mundo vai estar a ouvi-lo.
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