Ensaio sobre a cegueira (de um escritor)
O livro "Ensaio sobre a cegueira" chega a Hollywood pelas mãos do realizador brasileiro Fernando Meirelles ("O Paciente Inglês", "A Cidade de Deus"). Protagonizado por Julianne Moore, Mark Rufallo e Danny Glover, "Blindness" é um thriller adaptado do romance do Nobel português da Literatura, José Saramago, que parte do caso de um homem que subitamente fica cego.
Quando saiu o livro, fiz uma crítica para um blogue, em que dizia estarmos perante uma vulgar obra apocalíptica, da mesma estirpe que qualquer outro comum livro de bolso ou banda desenhada. Parece que o meu comentário foi premonitório.
O realizador brasileiro revelou que fez pelo menos dez montagens do filme, depois de várias projecções nos Estados Unidos e Canadá, nas quais muitas pessoas abandonaram a sala por causa da cenas de violência.
Sexta-feira, Maio 09, 2008
Quinta-feira, Maio 08, 2008
The Hitcher
Dois estudantes viajam de carro numa estrada chuvosa e resolvem dar boleia a um desconhecido, aparentemente respeitável. Um pouco mais tarde vão perceber que acabam de tomar a pior decisão das suas vidas.
Dois estudantes viajam de carro numa estrada chuvosa e resolvem dar boleia a um desconhecido, aparentemente respeitável. Um pouco mais tarde vão perceber que acabam de tomar a pior decisão das suas vidas.É um remake de uma obra de 1986, realizado desta vez por Dave Meyers - que com um orçamento pequeno, consegue fazer algo mais do que muitos outros. Uma surpresa. Provavelmente um dos melhores filmes de terror do ano passado, com um magnifico Sean Bean.
Mais uma vez, a forma explícita como a violência decorre é absolutamente gratuita e desnecessária. Num ano em que foi rei um filme extremamente violento (Este País Não É Para Velhos), parece cada mais ser moda, o que é duplamente mau.
Mais uma vez, a forma explícita como a violência decorre é absolutamente gratuita e desnecessária. Num ano em que foi rei um filme extremamente violento (Este País Não É Para Velhos), parece cada mais ser moda, o que é duplamente mau.
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Quarta-feira, Maio 07, 2008
Número 23
Vigésima terceira realização de Joel Schumacher. Walter Sparrow (Carrey) fica obsessivo quando lê um livro chamado "Número 23", modificando a sua vida e mergulhando num mundo de manias e paranóia.
Jim Carrey está aqui muito bem, mas não é desta que tem uma performance que o faça ser desejado para um Óscar. Aliás, argumentos deste tipo só muito raramente são apreciados pela crítica e não estamos perante nenhum “Silêncio dos Inocentes”.
O argumento de “Número 23” esforça-se para ser original. Mas esforça-se demasiado e o resultado é uma sucessão de frases feitas e lugares comuns. Vulgar.
Vigésima terceira realização de Joel Schumacher. Walter Sparrow (Carrey) fica obsessivo quando lê um livro chamado "Número 23", modificando a sua vida e mergulhando num mundo de manias e paranóia.Jim Carrey está aqui muito bem, mas não é desta que tem uma performance que o faça ser desejado para um Óscar. Aliás, argumentos deste tipo só muito raramente são apreciados pela crítica e não estamos perante nenhum “Silêncio dos Inocentes”.
O argumento de “Número 23” esforça-se para ser original. Mas esforça-se demasiado e o resultado é uma sucessão de frases feitas e lugares comuns. Vulgar.
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Terça-feira, Maio 06, 2008
30 Days of Night
Uma cidade do Alasca fica um mês na escuridão, cenário vantajoso para um grupo de sedentos vampiros. Realizado por David Slade, com Josh Hartnett, Melissa George e Danny Huston.
Uma cidade do Alasca fica um mês na escuridão, cenário vantajoso para um grupo de sedentos vampiros. Realizado por David Slade, com Josh Hartnett, Melissa George e Danny Huston.Alguns dos actores são imprevisíveis para uma obra como esta, mas é exactamente essa surpresa que acaba por benificiar bastante a (falta) de seriedade do argumento.
Há algumas situações neste filme que são absolutamente caricatas: por exemplo, a forma como passam os trinta dias com a temporalidade real de um. Mas se esquecermos esse tipo de problemas, vemos alguns ângulos positivos neste filme: suponho que nunca foi tão bem conseguida a caracterização de alguns vampiros como aqui e vislumbra-se o dedo de alguém apaixonado pelo tema.
Há algumas situações neste filme que são absolutamente caricatas: por exemplo, a forma como passam os trinta dias com a temporalidade real de um. Mas se esquecermos esse tipo de problemas, vemos alguns ângulos positivos neste filme: suponho que nunca foi tão bem conseguida a caracterização de alguns vampiros como aqui e vislumbra-se o dedo de alguém apaixonado pelo tema.
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Segunda-feira, Maio 05, 2008
Resident Evil III: Extinção
Milla Jovovich e Oded Fehr são as estrelas de serviço da ambiciosa terceira parte da série de filmes para os mais jovens. Já toda a gente sabe que é uma sequela com base num jogo, mas desta vez a produção exagerou em modelos com penteados intocáveis, péssimas paisagens apocalípticas feitas em computador e frases espampanantes sem significado.
Provavelmente foi a parte mais cara e a primeira feita quase completamente ao ar livre, fora da claustrofobia dos estúdios. O que até poderia ser benéfico. Mas não é. As imperfeições dos “zombies” são mais visíveis e até os golpes da esforçada Jovovich parecem toques frágeis sem violência. O argumento não ajuda, pelo contrário: o escritor do Noddy faria melhor com menos esforço. Demasiado refém das explicações do jogo, tem nessa lealdade a sua melhor qualidade.
O resultado final é estéril. Não foi desta que saiu um grande filme, nem sequer um filme médio. Ficamos à espera dos próximas vinte e sete partes desta sequela.
Milla Jovovich e Oded Fehr são as estrelas de serviço da ambiciosa terceira parte da série de filmes para os mais jovens. Já toda a gente sabe que é uma sequela com base num jogo, mas desta vez a produção exagerou em modelos com penteados intocáveis, péssimas paisagens apocalípticas feitas em computador e frases espampanantes sem significado.Provavelmente foi a parte mais cara e a primeira feita quase completamente ao ar livre, fora da claustrofobia dos estúdios. O que até poderia ser benéfico. Mas não é. As imperfeições dos “zombies” são mais visíveis e até os golpes da esforçada Jovovich parecem toques frágeis sem violência. O argumento não ajuda, pelo contrário: o escritor do Noddy faria melhor com menos esforço. Demasiado refém das explicações do jogo, tem nessa lealdade a sua melhor qualidade.
O resultado final é estéril. Não foi desta que saiu um grande filme, nem sequer um filme médio. Ficamos à espera dos próximas vinte e sete partes desta sequela.
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Domingo, Maio 04, 2008
The Eye
Remake de um filme asiático sobre uma mulher que faz um transplante de olhos para finalmente ver, passados vinte anos. O problema é que ela vai ver mais do que queria à partida.
Não vi o original, mas posso dizer que o extremo-oriente tem sido palco dos melhores filmes de terror e suspense dos últimos tempos. De facto, a Ásia pode não ter grande sensibilidade para dramas ou romances, mas tem mostrado que sabe assustar os espectadores – talvez fruto de todas as lendas e histórias que fazem parte da sua cultura.
Realce para a excelente produção sonora, que sustenta a maior parte do filme. De resto, a realização cumpre plenamente o que se esperava dela, mas não deixa de ser uma obra sem conteúdo ou motivação. Quem viu a primeira versão, diz que esta é uma réplica exacta – e toda a gente sabe o valor real das imitações.
Jessica Alba tenta aqui dar um ímpeto mais sério à sua carreira, depois de todas as comédias e filmes ligeiros do costume. É uma viragem estratégica inteligente: em vez de um drama ou romance, tenta ir por um filme de terror. Outras actrizes de grande sucesso conseguiram grandes frutos através de tácticas semelhantes – mas não quer dizer que todos os actores o consigam. E apetece mandar a pobre Jessica de volta para as comédias para adolescentes.
Remake de um filme asiático sobre uma mulher que faz um transplante de olhos para finalmente ver, passados vinte anos. O problema é que ela vai ver mais do que queria à partida.Não vi o original, mas posso dizer que o extremo-oriente tem sido palco dos melhores filmes de terror e suspense dos últimos tempos. De facto, a Ásia pode não ter grande sensibilidade para dramas ou romances, mas tem mostrado que sabe assustar os espectadores – talvez fruto de todas as lendas e histórias que fazem parte da sua cultura.
Realce para a excelente produção sonora, que sustenta a maior parte do filme. De resto, a realização cumpre plenamente o que se esperava dela, mas não deixa de ser uma obra sem conteúdo ou motivação. Quem viu a primeira versão, diz que esta é uma réplica exacta – e toda a gente sabe o valor real das imitações.
Jessica Alba tenta aqui dar um ímpeto mais sério à sua carreira, depois de todas as comédias e filmes ligeiros do costume. É uma viragem estratégica inteligente: em vez de um drama ou romance, tenta ir por um filme de terror. Outras actrizes de grande sucesso conseguiram grandes frutos através de tácticas semelhantes – mas não quer dizer que todos os actores o consigam. E apetece mandar a pobre Jessica de volta para as comédias para adolescentes.
Sábado, Maio 03, 2008
Nome de código: Cloverfield
Nunca visitei Nova Iorque, mas como dizem (e cantam) Paul Simon e Art Garfunkel, “New York, Like a scene from all those movies, but you’re real enough to me”. Depois de todos os filmes, sinto conhecer bem Manhattan, as suas ruas e bairros, o Central Park, as suas pontes e esconderijos.
Este filme é sobre uma situação apocalíptica em Manhattan, onde um gigantesco monstro ataca e se prepara para destruir toda a cidade. O objectivo é também metafórico, fazendo um paralelismo com todos os ataques terroristas a que a “Big Apple” tem sido sujeita nos últimos tempos. Um pouco distanciados do “11 de Setembro”, os espectadores são levados a recordar aquele dia fatídico e a desenterrar memórias terríveis. E é, portanto, a meu ver de profundo mau gosto esta produção, mas entendo que esta é uma forma terapêutica de exorcizar os males do “país do cinema” e do exibicionismo.
Quando comecei a ver este filme, lembrei-me porque nunca vi o “Blairwitch Project”. Só o deve ver quem não enjoa com as câmaras amadoras, que tremem a todo o momento, se viram repentinamente e não acompanham totamente o enquadramento do cenário - mesmo para quem gosta, deve ser extremamente cansativo acompanhá-lo desta forma. Muitos dos cinemas norte-americanos colocaram cartazes à entrada a dizer, “Warning: hand held camera movements may cause motion sickness”.
Filmar o filme desta maneira é uma boa forma de reduzir os custos e disfarçar a falta de qualidade dos efeitos especiais e os potenciais defeitos duma produção. Ora bem, o que não parece faltar a este filme é exactamente o esbanjamento de dinheiro nos mais avançados truques tecnológicos. Por isso é uma contradição, um risco muito discutivelmente conseguido, porque em qualquer circunstância é no mínimo . Aliás, é um trabalho que foi obviamente muito bem planeado, cena a cena, mais do que numa obra de cinema “normal”.
Os actores não são conhecidos (com experiências anteriores só em televisão) e não será por aqui que alcançarão a fama, porque este tipo de filmagem não beneficia em nada o trabalho dos actores. O realizador chama-se Matt Reeves e é um nome a (não) fixar, até porque acredito firmemente que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade.
Nunca visitei Nova Iorque, mas como dizem (e cantam) Paul Simon e Art Garfunkel, “New York, Like a scene from all those movies, but you’re real enough to me”. Depois de todos os filmes, sinto conhecer bem Manhattan, as suas ruas e bairros, o Central Park, as suas pontes e esconderijos.Este filme é sobre uma situação apocalíptica em Manhattan, onde um gigantesco monstro ataca e se prepara para destruir toda a cidade. O objectivo é também metafórico, fazendo um paralelismo com todos os ataques terroristas a que a “Big Apple” tem sido sujeita nos últimos tempos. Um pouco distanciados do “11 de Setembro”, os espectadores são levados a recordar aquele dia fatídico e a desenterrar memórias terríveis. E é, portanto, a meu ver de profundo mau gosto esta produção, mas entendo que esta é uma forma terapêutica de exorcizar os males do “país do cinema” e do exibicionismo.
Quando comecei a ver este filme, lembrei-me porque nunca vi o “Blairwitch Project”. Só o deve ver quem não enjoa com as câmaras amadoras, que tremem a todo o momento, se viram repentinamente e não acompanham totamente o enquadramento do cenário - mesmo para quem gosta, deve ser extremamente cansativo acompanhá-lo desta forma. Muitos dos cinemas norte-americanos colocaram cartazes à entrada a dizer, “Warning: hand held camera movements may cause motion sickness”.
Filmar o filme desta maneira é uma boa forma de reduzir os custos e disfarçar a falta de qualidade dos efeitos especiais e os potenciais defeitos duma produção. Ora bem, o que não parece faltar a este filme é exactamente o esbanjamento de dinheiro nos mais avançados truques tecnológicos. Por isso é uma contradição, um risco muito discutivelmente conseguido, porque em qualquer circunstância é no mínimo . Aliás, é um trabalho que foi obviamente muito bem planeado, cena a cena, mais do que numa obra de cinema “normal”.
Os actores não são conhecidos (com experiências anteriores só em televisão) e não será por aqui que alcançarão a fama, porque este tipo de filmagem não beneficia em nada o trabalho dos actores. O realizador chama-se Matt Reeves e é um nome a (não) fixar, até porque acredito firmemente que toda a gente tem direito a uma segunda oportunidade.
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Nova Iorque
Sexta-feira, Maio 02, 2008
Na semana de 3 a 9 de Maio, iremos ter a I Semana de Filmes de Terror do Monárquico. Uma forma de tirarmos um pouco de férias dos assuntos mais sérios e relaxarmos.
Durante sete dias, teremos aqui uma espécie de Fantasporto, onde aparecerão alguns dos filmes mais recentes da àrea. Fundamental para os fãs do Fantástico, inevitável para os apreciadores de cinema.
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