It's the end of the world as we know it and I feel fine.
O dia 10 de Setembro era vaticinado por muitos como o fim do mundo. Muita gente acreditou e a verdade é que eu próprio, com o passar das horas, olhei repetidamente para o relógio para ver se o dia maldito acabava. Quando cheguei a casa ao fim do dia, pensei que estavamos salvos e que afinal não seria hoje o dia do julgamento. Mas quando me sentei para ver o jogo da Selecção Nacional,entendi afinal de que é que falavam as premonições. Sofermos uma derrota incrível com a Dinamarca, à antiga portuguesa: jogamos como nunca fizemos em quinze anos, controlámos o jogo como nunca conseguimos em quinze anos, perdemos um jogo de apuramento para o Mundial como não acontecia há quinze anos. Com a saída de Scolari, voltámos à mesma frase de sempre, “Saímos de cabeça erguida, como a Selecção”.Mas é claro que quem previa o fim do mundo estava a falar do o LHC - Large Hadron Collider ou em português, grande colisor de hadrões. Não é somente o maior acelerador de partículas mas também um dos maiores sistemas criogénicos, em que a temperatura dos magnetos supercondutores será de aproximadamente 271 graus negativos, utilizando cerca de 10.080 toneladas de nitrogénio líquido e 60 toneladas de hélio líquido. No entanto, o LHC é também uma máquina de extremo calor, pois aquando da ocorrência da colisão de dois protões, será gerada uma quantidade de calor de cerca de 100.000 vezes a temperatura do núcleo do sol. O LHC contará ainda com o maior sistema de detecção jamais construído. Terá que ser capaz de detectar e gravar cerca de 600 milhões de colisões de protões por segundo e medir o deslocamento de partículas e o tempo com uma precisão assombrosa. Para ter uma noção da resolução métrica e temporal, poderíamos dividir o metro em largos milhões e o segundo em largos bilhões, para igualar a capacidade do LHC.
Agora várias perguntas têm sido colocadas por cientistas menos conhecidos: é possível o acelerador criar mini-buracos negros com duração suficiente e grandes o suficiente para se transformarem em devoradores de matéria? É possível que partículas exóticas como monopólos magnéticos tirem os núcleos dos átomos de seus lugares? É possível que os quarks se recombinem em "strangelets" que poderiam transformar toda a Terra em um grande depósito de matéria exótica?
Seria no mínimo irónico que o nosso mundo acabasse assim, num lapso de arrogância da nossa ciência. E até faria sentido. Mas as hipóteses de este grão de areia desaparecer são várias e uma delas pode acontecer na Sexta-Feira, 13 de Abril de 2029, havendo a possibilidade real (1 em 60) de sermos atingidos por um asteroide de 320 metros. Os cálculos feitos até à data apontam que este asteróide - designado 2004 MN4 Apophis - poderá passar a poucos milhares de quilometros da Terra, abaixo mesmo da órbita da maioria dos satélites artificiais. Tão próximo que pode mesmo alterar as órbitas de alguns satélites, se não colidir com nenhum. Tudo isto serve, acima de tudo, para repararmos que somos frágeis, minúsculos, insignificantes e não estamos no centro do Universo.








